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No fundo, eu sempre soube. O coração da Luna nunca deixou de ser do Simón. Eu me peguei pensando nisso enquanto observava o movimento da praça perto do Jam & Roller. A Luna mudou tanto... Já não é mais aquela "Menina Delivery" desastrada que conheci anos atrás, quando precisei pulado na piscina para salvá-la de uma das armações da Âmbar. Falando na Âmbar... Faz tanto tempo que não nos falamos. Fiquei sabendo que ela realizou o maior sonho dela e se tornou uma grande estilista em Paris. Por mais que nosso passado tenha sido conturbado, no fundo eu sempre vou desejar o melhor para a garota que, por tanto tempo, me fez o verdadeiro Rei da Pista. — Como você tá, irmão? — a voz do Gastón cortou meus pensamentos. Ele se aproximou e se sentou no banco ao meu lado. — Tô péssimo, Gastón. Perdi a Luna de vez. — Nem me fala... É difícil aceitar que a Nina já me superou há tanto tempo — suspirou Gastón, olhando para o nada. — Complicado... Mas você acha que vocês não têm mais nenhuma chance de voltar? — Só se o Éric fosse embora para bem longe para eu ter alguma chance de entrar em cena — respondeu ele, com um sorriso irônico. Antes que eu pudesse responder, o grupo apareceu ao longe. Simón, Luna, Nina, Éric e Pedro caminhavam na nossa direção rindo. — Qual é a boa, pessoal? — cumprimentou Simón, abraçando a Luna de lado. — Nada demais. Eu só tava aqui sentado pensando em uma nova letra quando o Gastón chegou — respondi, tentando manter a postura. Luna me encarou com curiosidade e deu um passo à frente: — Mauricinho, você vai compor uma música nova? Sobre o quê? Já terminou? Pode mostrar pra gente? Dei um leve sorriso de canto, reencontrando aquele clima familiar: — Calma, Menina Delivery. Eu ainda nem comecei! Pelo visto você não mudou nada, continua a mesma menina ansiosa de sempre. Trocamos um olhar demorado — uma mistura de cumplicidade e saudade —, o que claramente não agradou o Simón. O clima de tensão entre nós só foi interrompido quando a Jasmin e a Delfi chegaram correndo, quase sem ar. — Vocês NÃO VÃO ACREDITAR em quem tá chegando amanhã no Roller! — gritou Delfi, segurando o tablet. Todo mundo se olhou, sem entender nada. — Quem vai estar aqui? — perguntou Gastón, curioso. — A ÂMBAR SMITH! — disparou Jasmin, sem conseguir segurar a empolgação. — Eu queria ter contado, Jasmin! — reclamou Delfi, cruzando os braços. O silêncio foi imediato. Todos no grupo ficaram em choque. O Simón parecia o mais surpreso de todos — afinal, mesmo depois do término, ele e a Âmbar continuavam se falando como amigos, e ela não tinha comentado nada sobre voltar. — Ela falou com vocês? — perguntou Simón, surpreso. — Sim! Na verdade, ela já chegou em Buenos Aires — explicou Delfi. — Mas só vai encontrar a gente amanhã porque disse que tá exausta da viagem. — Nem me lembro da última vez que vi a Âmbar... Faz muito tempo mesmo — comentei, sentindo meu peito dar uma apertada involuntária. — Mas ela resolveu vir assim, do nada? — questionou Luna, franzindo a testa. — Ela não tem os desfiles e os trabalhos dela em Paris? — Ela entrou de férias e resolveu passar um tempo aqui para matar a saudade — respondeu Jasmin, tirando fotos da reação de todo mundo. O ar na praça parecia ter ficado mais denso. Olhei para o chão, assimilando a notícia enquanto as memórias do passado invadiam minha mente. A Âmbar Smith está de volta. Algo me diz que retorna dela vai causar problemas.