Ninguém sabe exatamente como começou. Uma individualidade desconhecida cobriu boa parte do Japão com uma nevasca que parece não ter fim.
O frio é tão absurdo que qualquer coisa que tenta derreter o gelo congela de novo em questão de segundos. Nem a...
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Dizem que o inverno tem um jeito muito próprio de se anunciar, quase como se gostasse de mandar avisos antes de realmente se instalar.
Todo mundo já conhece o bagulho: o vento vai ficando aos poucos mais cortante, as manhãs ganham aquele silêncio denso e gelado que dá uma preguiça enorme de sair da coberta, e as árvores do campus vai lentamente perdendo as folhas até ficarem totalmente desnudas.
É um processo lento, previsível e paciencioso.
Mas pra nossa surpresa, não foi nada disso que aconteceu naquele dia. O inverno simplesmente não pediu licença; ele apareceu do nada, pegando todo mundo no pulo, bem no meio de uma rotina qualquer.
Eu estava na minha carteira, meio desligada e tentando acompanhar a explicação arrastada no quadro-negro, quando um movimento do lado de fora me chamou a atenção. Apoiei o queixo na mão e olhei de relance pela janela, bem a tempo de ver os primeiro flocos flutuando suavemente pelo ar. Eram poucos no início, tão pequenos e delicados que parecia quase irreal, dando um ar meio mágico pro pátio cinzento.
Não demorou muito pra que os cochichos começassem a se espalhar pelas fileiras ao meu redor. Alguém na frente comentou como seria incrível ver os prédio imponentes da U.A. totalmente coberto por uma camada espessa de neve, e essa simples frase foi o suficiente pra instaurar uma pequena revolução na sala.
Por alguns segundos gloriosos, a atenção de todo mundo se desviou da matéria, e até os alunos mais focados pareceram esquecer completamente que ainda tínhamos uma aula inteira e cansativa pela frente.
Até que, de repente, o céu escureceu.
Não foi um processo devagar ou gradual. Foi algo bruto, como se alguém simplesmente tivesse apagado a luz do mundo de uma vez só. A claridade fraca do início da tarde evaporou em questão de instantes, dando lugar a uma penumbra estranha e pesada que tomou conta da sala de aula.
Lá fora, a tempestade mudou de tom num piscar de olhos. Os flocos, que antes pareciam delicados e calmos, ficaram gigantescos, caindo mais rápidos, mais densos e visivelmente mais pesados contra o vidro. O vento começou a uivar fraco, arrastando a neve em espirais agressivas pelo pátio.
Em menos de cinco minutos, a paisagem inteira sumiu. A neblina branca ficou tão fechada que quase não dava mais pra enxergar os prédios do outro lado do campus, transformando a vista familiar da U.A. num borrão completamente prateado e irreconhecível.
- Isso tá estranho... - ouvi o Midoriya murmurar baixinho, a voz dele quase sumindo no ar.
A sala inteira, que até um segundo atrás estava cheia de cochichos e risadinhas, simplesmente parou. O silêncio ficou tão pesado que dava pra ouvir o barulho do vento batendo nas janelas lá fora. Nem o Kaminari, que nunca perde a chance de soltar uma piada idiota pra quebrar o clima, teve coragem de abrir a boca dessa vez.