Capítulo 1 - O Encontro

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A chuva começou no momento em que Sunaika decidiu que devia ter ficado em casa.

As gotas batiam contra o vidro do autocarro enquanto as luzes da cidade passavam diante dos seus olhos, distorcidas pela água. Tinha aquela sensação estranha no peito desde que saíra de casa.

Como se estivesse a ser observada.

Como se alguém soubesse exatamente para onde ela estava a ir.

Quando desceu, o frio atingiu-lhe o rosto. Apertou o casaco contra o corpo e começou a caminhar pela rua quase vazia.

O telemóvel vibrou.

Número desconhecido.

Sunaika ficou alguns segundos a olhar para o ecrã antes de abrir a mensagem.

Não devias estar aqui.

O coração falhou-lhe uma batida.

Olhou imediatamente à sua volta.

Nada.

A rua estava deserta.

Guardou o telemóvel no bolso e continuou a andar, tentando convencer-se de que aquilo era apenas uma brincadeira.

Então ouviu passos.

Lentos.

Atrás dela.

Sunaika parou.

Os passos também.

Respirou fundo e virou-se.

Ninguém.

— Ótimo... — murmurou, tentando rir de si própria.

Quando voltou a andar, uma voz surgiu atrás dela.

— Se eu fosse a ti, não continuava.

Sunaika congelou.

Virou-se lentamente.

Ele estava encostado à parede do outro lado da rua.

Alto. Vestido de preto. O cabelo escuro estava ligeiramente molhado pela chuva e os olhos permaneciam fixos nela, como se a conhecesse há anos.

Sunaika não o conhecia.

Tinha a certeza disso.

— Quem és tu?

O desconhecido afastou-se da parede.

— Matteo.

O nome ficou suspenso no ar.

— E tu és Sunaika.

Ela sentiu o estômago apertar.

— Como sabes o meu nome?

Matteo aproximou-se.

Um passo.

Depois outro.

Sunaika recuou instintivamente.

Ele parou antes de chegar perto demais.

— Porque há muito tempo que sei quem tu és.

— Isso não responde à minha pergunta.

Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.

Não era um sorriso simpático.

Era o tipo de sorriso que fazia Sunaika querer fugir.

— Ainda não estás preparada para a resposta.

— Então deixa-me em paz.

Ela virou-se para ir embora.

— Sunaika.

A voz dele fez com que parasse.

— O quê?

Matteo ficou em silêncio durante alguns segundos.

Depois disse:

— Quando chegares a casa, não abras a porta a ninguém.

Sunaika franziu o sobrolho.

— Porquê?

Matteo olhou para trás dela.

O sorriso desapareceu.

— Porque alguém já sabe onde moras.

Sunaika virou-se rapidamente.

No fim da rua, um carro preto estava parado.

Os faróis acenderam-se.

E, quando voltou a olhar para Matteo...

Ele já tinha desaparecido.

O telemóvel vibrou novamente.

Outra mensagem.

Agora já sabes porque te encontrei primeiro.

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