A chuva começou no momento em que Sunaika decidiu que devia ter ficado em casa.
As gotas batiam contra o vidro do autocarro enquanto as luzes da cidade passavam diante dos seus olhos, distorcidas pela água. Tinha aquela sensação estranha no peito desde que saíra de casa.
Como se estivesse a ser observada.
Como se alguém soubesse exatamente para onde ela estava a ir.
Quando desceu, o frio atingiu-lhe o rosto. Apertou o casaco contra o corpo e começou a caminhar pela rua quase vazia.
O telemóvel vibrou.
Número desconhecido.
Sunaika ficou alguns segundos a olhar para o ecrã antes de abrir a mensagem.
Não devias estar aqui.
O coração falhou-lhe uma batida.
Olhou imediatamente à sua volta.
Nada.
A rua estava deserta.
Guardou o telemóvel no bolso e continuou a andar, tentando convencer-se de que aquilo era apenas uma brincadeira.
Então ouviu passos.
Lentos.
Atrás dela.
Sunaika parou.
Os passos também.
Respirou fundo e virou-se.
Ninguém.
— Ótimo... — murmurou, tentando rir de si própria.
Quando voltou a andar, uma voz surgiu atrás dela.
— Se eu fosse a ti, não continuava.
Sunaika congelou.
Virou-se lentamente.
Ele estava encostado à parede do outro lado da rua.
Alto. Vestido de preto. O cabelo escuro estava ligeiramente molhado pela chuva e os olhos permaneciam fixos nela, como se a conhecesse há anos.
Sunaika não o conhecia.
Tinha a certeza disso.
— Quem és tu?
O desconhecido afastou-se da parede.
— Matteo.
O nome ficou suspenso no ar.
— E tu és Sunaika.
Ela sentiu o estômago apertar.
— Como sabes o meu nome?
Matteo aproximou-se.
Um passo.
Depois outro.
Sunaika recuou instintivamente.
Ele parou antes de chegar perto demais.
— Porque há muito tempo que sei quem tu és.
— Isso não responde à minha pergunta.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.
Não era um sorriso simpático.
Era o tipo de sorriso que fazia Sunaika querer fugir.
— Ainda não estás preparada para a resposta.
— Então deixa-me em paz.
Ela virou-se para ir embora.
— Sunaika.
A voz dele fez com que parasse.
— O quê?
Matteo ficou em silêncio durante alguns segundos.
Depois disse:
— Quando chegares a casa, não abras a porta a ninguém.
Sunaika franziu o sobrolho.
— Porquê?
Matteo olhou para trás dela.
O sorriso desapareceu.
— Porque alguém já sabe onde moras.
Sunaika virou-se rapidamente.
No fim da rua, um carro preto estava parado.
Os faróis acenderam-se.
E, quando voltou a olhar para Matteo...
Ele já tinha desaparecido.
O telemóvel vibrou novamente.
Outra mensagem.
Agora já sabes porque te encontrei primeiro.
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A Noite Nunca Perdoa
RomanceHá histórias de amor que começam com um olhar. A deles começou com um segredo. Sunaika sempre acreditou que algumas portas nunca deviam ser abertas. Matteo aprendeu, desde cedo, que o medo era a arma mais poderosa de todas. Quando os seus caminhos s...
