Durante muito tempo, eu achei que voltar significava encontrar tudo exatamente onde havíamos deixado, a mesma casa, as mesmas pessoas, os mesmos lugares e talvez até os mesmos sentimentos, guardados em algum canto, esperando apenas que alguém abrisse a porta novamente, mas crescer me ensinou que voltar não funciona dessa maneira.
Enquanto estamos longe, as cidades continuam mudando, prédios são reformados, lojas fecham, ruas ganham novas cores e pessoas que juraram nunca se separar aprendem a viver em lugares diferentes e nós também mudamos.
Alguns de nós encontraram o caminho que sempre imaginaram e outros descobriram que os sonhos da adolescência não cabiam mais na vida adulta. Houve quem viajasse, quem ficasse, quem começasse tudo de novo e quem ainda estivesse tentando entender onde realmente pertencia.
Eu passei anos viajando pelo mundo, subi em palcos que, quando criança, eu não conseguiria sequer imaginar, cantei para milhares de pessoas, conheci países, gravei músicas, dei entrevistas, tirei fotografias e aprendi a sorrir mesmo quando estava cansada demais para conversar.
Eu amava minha carreira, amava a música, os palcos e a sensação de ouvir uma multidão cantando algo que havia nascido dentro de mim.
Mas havia dias em que eu acordava em um quarto de hotel sem saber imediatamente em qual cidade estava. Nessas manhãs, antes de me lembrar do próximo compromisso, eu pensava em Buenos Aires.
Na casa dos meus pais, na pista do Jam & Roller, no som dos patins tocando o chão e nele... Matteo.
Talvez alguns lugares não esperem que a gente volte, talvez sejam eles que continuam vivendo dentro da gente.
O avião aterrissou em Buenos Aires no início da tarde. Da janela, observei a cidade aparecendo aos poucos sob as nuvens. Eu já havia retornado muitas vezes desde que começara a viajar, mas aquela chegada parecia diferente.
Pela primeira vez em anos, eu não tinha uma data marcada para partir.
A primeira parte da turnê havia terminado. Minha equipe insistia para que eu tirasse algumas semanas de descanso antes de decidir quais propostas aceitaria. Eu ainda tinha reuniões, músicas para avaliar e contratos esperando uma resposta, mas, por enquanto, estava livre.
Livre era uma palavra bonita, mas também era uma palavra assustadora.
Quando o avião parou, peguei o celular e encontrei várias mensagens.
Minha mãe perguntava se eu havia pousado, meu pai queria saber se eu precisava que ele fosse me buscar, embora tivéssemos combinado três vezes que Matteo iria ao aeroporto, Nina havia enviado um áudio desejando boa viagem, Delfi queria saber se eu estaria em Buenos Aires no mês seguinte, Jazmín havia mandado seis fotografias de vestidos, duas mensagens sobre uma tendência que, segundo ela, "mudaria completamente o mundo da moda" e um vídeo de quarenta segundos que não tinha qualquer relação com as mensagens anteriores, Simón havia escrito apenas:
Quando chegar, me avise.
E Matteo:
Estou esperando. Não demore três horas cumprimentando o aeroporto inteiro.
Sorri.
Eu: Você poderia fingir que sentiu minha falta.
A resposta apareceu antes mesmo que eu guardasse o telefone.
Matteo: Posso demonstrar pessoalmente.
Eu: Isso foi quase romântico.
YOU ARE READING
Soy Luna. De volta à pista
FanfictionEsta história é uma releitura da quarta temporada de Soy Luna. Nesta versão, a temporada oficial não existe. Dez anos se passaram desde que os corredores do Jam & Roller foram preenchidos por risadas, músicas e sonhos. A vida seguiu caminhos diferen...
