Christopher Chan

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Desde o dia em que o grupo se formou de verdade, todos souberam. Sete alfas e um ômega. Não havia outro. Não havia rival. Jeongin era o centro silencioso daquele pequeno universo que eles construíram juntos. E, por mais que ele tentasse se fazer pequeno, o corpo dele nunca deixava.
O cio chegou numa quinta-feira à noite, depois de um dia inteiro de ensaios. Jeongin sentiu o primeiro sinal no banheiro do estúdio: o calor subindo devagar pela espinha, a pele ficando sensível demais sob a camisa molhada de suor. Ele escondeu o rosto na toalha e tentou respirar fundo. Os supressores que tomava regularmente já não estavam segurando como antes. O cheiro doce de mel e canela começou a escapar antes mesmo de ele conseguir se limpar direito.
Quando saiu do banheiro, Chan estava encostado na parede do corredor, de braços cruzados. Os olhos escuros do líder já tinham captado tudo.
- Innie.
Só o nome. Baixo. Firme.
Jeongin baixou a cabeça.
- Eu tô bem. Ainda dá pra segurar até chegar em casa.
Chan não respondeu de imediato. Apenas se aproximou, passou a mão no alto da cabeça dele e disse:
- A gente vai embora agora.
Eles não discutiram. Nunca discutiam nessas horas.
No carro, Jeongin ficou no banco de trás, entre Felix e Hyunjin. Os dois alfas mantinham uma distância respeitosa, mas o corpo de Jeongin já estava quente demais para disfarçar. Felix ofereceu a própria jaqueta para ele se cobrir. Hyunjin abriu a janela só um pouco, o suficiente para o ar fresco entrar sem espalhar o cheiro demais. Na frente, Chan dirigia em silêncio. Lee Know, no banco do passageiro, mandava mensagem para os outros que já estavam no dormitório.
Quando chegaram, a casa estava preparada.
Changbin tinha deixado a sala com as luzes baixas e o ar-condicionado numa temperatura mais fria. Seungmin havia colocado toalhas limpas, água gelada e um cobertor macio no sofá maior. Han estava na cozinha preparando algo leve, porque sabia que Jeongin quase nunca conseguia comer direito quando o cio começava. Lee Know trancou a porta da frente e checou as janelas. Tudo em silêncio, como um ritual que eles já conheciam de cor.
Jeongin foi guiado até o sofá. Chan se ajoelhou na frente dele e tirou os tênis com cuidado. Felix trouxe um pano úmido e passou no pescoço suado do ômega. Hyunjin ajeitou o cabelo dele para trás da orelha. Changbin ofereceu o copo d'água e só afastou a mão quando Jeongin bebeu metade.
- Respira - murmurou Seungmin, sentado no braço do sofá. - A gente tá aqui.
Jeongin tentou sorrir, mas o calor no ventre já estava se espalhando. O slick começou a escorrer devagar, molhando a roupa íntima, e o cheiro dele se intensificou no ambiente. Os alfas trocaram olhares rápidos. Nenhum se afastou. Nenhum perdeu o controle. Eles apenas se posicionaram ao redor, como um círculo protetor.
Chan foi o único que se moveu para mais perto.
- Quer ir pro quarto? - perguntou baixo.
Jeongin assentiu.
O quarto de Chan já estava arrumado. Lençóis limpos, luz fraca, a janela entreaberta só o suficiente. Jeongin foi deitado com cuidado. Os outros entraram atrás, mas ficaram perto da porta e das paredes, presentes sem invadir. Felix trouxe mais água. Hyunjin deixou uma camisa limpa de Chan sobre a cadeira. Changbin e Han ficaram de vigia perto da entrada. Lee Know e Seungmin se sentaram no chão, de costas para a cama, o suficiente para ouvir se Jeongin precisasse de qualquer coisa.
Chan tirou a própria camisa e deitou ao lado do ômega. As mãos grandes passaram pelas costas de Jeongin, subindo e descendo em movimentos lentos, tentando acalmar o tremor que já começava.
- Me diz o que você precisa - sussurrou.
Jeongin enterrou o rosto no pescoço dele e respondeu com a voz embargada:
- Você. Só você agora.
O beijo que se seguiu foi profundo, mas ainda contido. Chan beijou a boca, o queixo, a linha do maxilar, até chegar na glândula inchada do pescoço. Jeongin soltou um gemido baixo quando os dentes roçaram ali. As mãos do alfa desceram pela cintura, puxaram a calça para baixo e encontraram a pele quente e molhada. O slick já escorria pelas coxas.
Chan se posicionou entre as pernas dele. Os outros alfas desviaram o olhar por respeito, mas não saíram do quarto. A presença deles era uma âncora. Jeongin precisava saber que estavam ali.
Quando Chan entrou, foi devagar. O corpo do ômega se abriu com um soluço, as unhas cravando nos ombros largos. O ritmo começou lento, profundo, cada estocada empurrando o ar para fora dos pulmões de Jeongin. O barulho molhado era baixo, quase íntimo. Chan segurava o rosto dele com uma mão e acariciava a lateral da coxa com a outra, murmurando:
- Isso... respira... eu tô aqui.
O nó começou a inchar perto do final. Chan acelerou só o suficiente, o corpo grande cobrindo o de Jeongin por completo. Quando o nó travou, o alfa mordeu a glândula com precisão, marcando. Jeongin gozou apertado ao redor dele, o corpo inteiro se contraindo, um choro abafado escapando da garganta. Chan o segurou firme enquanto se derramava dentro, enchendo-o até o limite, o ventre do ômega levemente tenso pela quantidade.
Ficaram presos por vários minutos. Chan beijava a têmpora suada de Jeongin e falava baixinho contra a pele:
- Meu ômega. O nosso ômega.
Quando o nó finalmente baixou, Chan saiu com cuidado extremo. Felix foi o primeiro a se aproximar com uma bacia de água morna e um pano limpo. Limpou o corpo de Jeongin com toques suaves, quase reverentes. Hyunjin trocou os lençóis por outros secos enquanto Changbin ajudava a erguer o ômega o mínimo necessário. Seungmin ofereceu água com canudo. Han ajeitou o travesseiro. Lee Know cobriu as pernas dele com o cobertor mais leve da casa. E Chan se deitou de novo ao lado, puxando Jeongin contra o peito.
Ninguém falou por um tempo. Só o som da respiração de Jeongin, cada vez mais calma.
Depois de um tempo, a voz rouca do ômega quebrou o silêncio:
- Vocês não precisam ficar todos aqui...
Chan apertou os braços em volta dele.
- A gente fica.
Lee Know, ainda sentado no chão, acrescentou sem olhar para trás:
- Você é o único. A gente cuida.
Felix passou a mão nos cabelos úmidos de Jeongin.
- Dorme. A gente vigia.
E Jeongin dormiu.
No meio da madrugada, quando o calor voltou em ondas mais fracas, Chan o acalmou de novo, dessa vez só com o corpo colado e a mão grande no peito, controlando a respiração. Os outros alfas revezavam o sono em silêncio. Alguém sempre estava acordado. Alguém sempre estava perto.
Quando a manhã chegou, o cheiro do cio ainda pairava no quarto, mas já era mais suave. Jeongin abriu os olhos e encontrou sete pares de olhos cansados, mas atentos, ao redor da cama.
Ele sorriu, pequeno, cansado, mas verdadeiro.
- Obrigado por me terem.
Chan beijou a marca no pescoço dele, ainda vermelha.
- Sempre. Você é nosso.
E naquele quarto, cercado por sete alfas que escolheram protegê-lo acima de qualquer instinto, Jeongin - o único ômega - finalmente se permitiu descansar de verdade.

Nosso precioso ômega (jeongin centric)Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora