A noite de Seul era fria, mas dentro daquele galpão abandonado na zona portuária, o ambiente estava sufocante.
O homem amarrado à cadeira de ferro chorava, implorando por uma misericórdia que nunca viria. À frente dele, Jeon Jungkook observava o reflexo da lâmina de seu bisturi sob a luz fraca do teto. Ele vestia um macacão cirúrgico preto por cima das roupas, luvas de látex e uma máscara que cobria metade do rosto. Suas ações eram cirúrgicas, desprovidas de qualquer hesitação. Ele era o lobo lúpus no topo da cadeia alimentar, fazendo a justiça que a polícia — e ele mesmo, de distintivo no peito — não conseguia fazer.
Com movimentos rápidos e precisos, Jungkook finalizou o seu trabalho. O "Cirurgião" havia atacado novamente.
Antes de sair, o alfa puxou do bolso um pequeno frasco de supressor sintético de grau militar. Ele borrifou o líquido nas próprias roupas e ao redor do corpo. Instantaneamente, o rastro de seu lobo foi completamente extinto. O aroma denso, amadeirado e inebriante de vinho tinto que ele carregava na alma sumiu do mapa, deixando a cena do crime perfeitamente estéril para os cães farejadores da polícia.
Jungkook queimou o macacão em um tambor nos fundos do porto, vestiu sua jaqueta de couro e subiu na moto. Ele tinha um compromisso logo cedo.
Poucas horas depois, o sol mal havia nascido e a Divisão de Homicídios de Seul já estava um caos.
Jimin entrou na delegacia com duas xícaras de café térmicas nas mãos. Ele usava um sobretudo bege que contrastava com seus cabelos loiros bem alinhados. No entanto, o que realmente chamava a atenção de quem passava por ele era o rastro sutil e incrivelmente doce de morango fresco que ele deixava no ar. Por ser um ômega, o ambiente pesado da delegacia costumava acuá-lo, mas Jimin era o perfilador mais brilhante da polícia; sua mente lia mentes criminosas como ninguém.
Ele caminhou até a mesa compartilhada e encontrou Jungkook digitando calmamente no computador, vestindo uma camisa preta com as mangas dobradas, revelando os braços fechados em tatuagens. No segundo em que Jimin se aproximou, o faro de Jungkook captou o morango. Os olhos do lúpus escureceram de forma imperceptível, o lobo em sua mente rosnando de pura possessividade. Jungkook era obcecado por aquele cheiro. Era o seu vício.
— Bom dia, parceiro — Jimin disse, colocando o café na mesa dele e sentando-se na cadeira ao lado.
— Bom dia, Minnie — a voz de Jungkook saiu grave, arrastada, com aquele tom maduro que sempre fazia o estômago de Jimin dar voltas.
Ao se inclinar para pegar o café, Jungkook deixou que seu cheiro de vinho — agora liberado normalmente — cercasse o espaço de Jimin. O ômega respirou fundo de forma involuntária, sentindo as bochechas esquentarem. Desde aquela viagem de investigação na Itália, três anos atrás, as coisas haviam mudado entre eles. Jimin lembrava perfeitamente da noite de folga em Roma, do vinho italiano que tomaram e de como Jungkook o prensou contra a parede do hotel, iniciando um beijo devastador que nunca mais conseguiu parar. Eles não eram namorados oficiais, nenhum dos dois ficava com mais ninguém, mas a tensão e os encontros casuais entre os dois parceiros eram intensos demais. Jimin se sentia completamente mexido por ele.
Antes que pudessem trocar mais do que um olhar cúmplice, o capitão da divisão saiu da sala gritando:
— Jeon! Park! Central Homicídios, agora! O Cirurgião atacou de novo na zona portuária. Quero os dois na cena do crime imediatamente!
Jimin endireitou a postura na hora, o olhar de ômega dócil sumindo para dar lugar ao detetive focado. Ele olhou para o alfa.
— Vamos, Kookie. Esse desgraçado deixou mais um corpo.
CZYTASZ
A Geometria do Caos
Fanfiction"Para capturar um monstro, você precisa entender como a mente dele funciona. Para dominá-lo, você precisa se tornar a ruína dele." Park Jimin é o perfilador prodígio da Central de Homicídios de Seul. Apoiado por uma mente cirúrgica e analítica, ele...
