O despertador insistente cortou a manhã fria no Brooklyn. Às seis e meia, Emily Rogers apenas entreabriu um dos olhos, encarando as rachaduras familiares no teto do quarto.
— Só mais cinco minutos... — resmungou contra o travesseiro.
— Emily! — a voz de sua mãe subiu limpa pelas escadas. — Você disse exatamente a mesma coisa há quinze minutos!
Um suspiro pesado escapou dos lábios da jovem.
— Já estou descendo!
Após um banho ágil, vestiu seu moletom azul-escuro preferido, jeans surrados e o surrado par de tênis de cano alto. Prendeu os fios loiros em um rabo de cavalo prático e desceu os degraus de madeira rangentes.
Na cozinha, o cheiro de café recém-passado já tomava conta do ambiente. Margaret Rogers preparava o desjejum com a habilidade de quem conhecia aquela rotina de cor.
— Madrugada em claro de novo? — perguntou a mãe, sem se virar.
— Trabalho da faculdade.
— História?
— História da Guerra Fria — Emily puxou uma cadeira e se sentou.
Margaret olhou para a filha com um brilho suave nos olhos.
— Você definitivamente puxou alguém dessa família.
— Espero ter herdado o lado prático — brincou a garota, servindo-se de uma xícara.
Enquanto comiam, a pequena televisão sobre o balcão transmitia o noticiário matinal.
"...A Stark Industries confirmou nesta manhã uma nova parceria tecnológica com a S.H.I.E.L.D..." "...Enquanto isso, em Chicago, a Parker Industries cortou a fita de seu mais recente centro de pesquisas..." "...E nas sombras de Neonfall, o vigilante Phantom voltou a dar as caras na última noite..."
Emily desviou o olhar da xícara para a tela por um segundo.
— Esse tal de Phantom aparece nos jornais dia sim, dia também.
— A necessidade de heróis costuma surgir exatamente quando tudo parece dar errado — comentou Margaret, com o tom sereno de costume.
Emily deu de ombros, desinteressada.
— Ainda prefiro lidar com pessoas normais.
Sua mãe sorriu em silêncio, mas um leve vinco preocupado surgiu em sua testa. Ela sabia, melhor do que ninguém, que a normalidade da filha estava com os dias contados.
A manhã na Universidade do Brooklyn passou como um raio, dividida entre seminários extensos e discussões em grupo. No intervalo entre as aulas, Emily ouviu passos apressados ecoando pelo corredor.
— Emily!
Sarah Collins surgiu esfalfada, a alça de uma câmera fotográfica pesada balançando em seu pescoço.
— Um dia você ainda me mata do coração — disse Emily, ajustando a mochila nas costas.
— O jornalismo exige velocidade, minha cara! — respondeu Sarah, recuperando o fôlego.
— O jornalismo exige uma dose dupla de moca primeiro.
As duas engataram o passo pelo campus movimentado.
— Ficou sabendo da última operação do Phantom? — perguntou Sarah, os olhos brilhando de empolgação.
Emily soltou um suspiro teatral.
— Ninguém fala de outra coisa.
— Porque ele é incrível!
— Porque ele deixa um rastro de destruição por onde passa.
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Liberdade
FanfictionDurante dezoito anos, Emily Rogers acreditou ser apenas mais uma garota comum do Brooklyn. Criada apenas pela mãe, ela cresceu ouvindo histórias sobre o lendário Capitão América, admirando o homem que inspirou gerações inteiras, sem imaginar que aqu...
