Kate tinha catorze anos quando acreditou, pela primeira vez, que o amor podia mudar uma pessoa.
Na escola, havia um rapaz de treze anos chamado Steve. Para ela, bastava cruzarem-se no corredor para o coração acelerar. Bastava vê-lo a rir com os amigos para o mundo parecer mais leve. Nunca teve coragem de lhe dizer diretamente o que sentia, mas ele acabou por perceber.
E foi aí que tudo começou a piorar.
Steve não gostava dela. Não da mesma forma. Em vez de ignorar os sentimentos de Kate, escolheu transformá-los numa arma.
Chamava-lhe nomes, gozava com ela à frente de toda a gente, empurrava-a nos corredores e, por vezes, chegava mesmo a bater-lhe. Muitas dessas vezes não estava sozinho. Os amigos riam-se, incentivavam-no e faziam o mesmo. Para eles era apenas uma brincadeira. Para Kate, era mais um dia de sofrimento.
Mesmo assim, ela nunca deixou de perguntar a si própria porque é que ele a odiava tanto.
Como se tudo isso não bastasse, surgiu uma história que mudou ainda mais a maneira como Steve olhava para ela.
Tudo começou quando Giovana convidou Kate para ir a sua casa ver um filme. Kate aceitou, convencida de que seriam apenas as duas.
Quando chegou, percebeu que havia mais pessoas. Estavam lá Steve, o irmão mais velho dele e mais duas pessoas.
A noite parecia normal, até que tudo aconteceu muito depressa.
Enquanto Giovana estava ocupada noutra parte da casa, o irmão de Steve chamou Kate para uma divisão mais afastada. Sem que ela esperasse, beijou-a.
Kate ficou em choque.
Quando ele tentou ir mais longe, ela afastou-se imediatamente e conseguiu fugir antes que acontecesse algo pior.
Saiu daquela divisão assustada, confusa e com vontade apenas de ir embora.
Nunca contou a ninguém o que realmente tinha acontecido.
Pouco tempo depois começaram os rumores.
Disseram a Steve que Kate se tinha envolvido com o irmão dele.
Era mentira.
Ninguém contou que ela tinha sido surpreendida. Ninguém contou que ela tinha fugido. Ninguém contou que nunca quis que nada daquilo acontecesse.
Mas Steve acreditou.
Era facilmente influenciado pelos outros e nunca procurou ouvir a versão de Kate.
Na cabeça dele, aquela mentira passou a ser mais uma prova de que ela era exatamente aquilo que os outros diziam.
E, sem saber a verdade, passou a tratá-la ainda pior.
Como se isso não bastasse, Steve estava apaixonado por outra pessoa.
A melhor amiga de Kate.
Ou, pelo menos, aquela que Kate acreditava ser a sua melhor amiga.
À frente dela, defendia-a.
Dizia que não era justo o que lhe faziam.
Mas, quando Kate não estava presente, ria-se da situação, falava com Steve sobre ela e alimentava ainda mais os boatos.
Kate desconfiava. Havia olhares, conversas interrompidas quando ela aparecia e pequenos gestos que diziam mais do que palavras.
Só anos depois percebeu que a amizade nunca tinha sido verdadeira.
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Ecos Do Silêncio ( História Verídica )
Non-FictionHá histórias que o tempo nunca consegue apagar. Ecos do Silêncio é um conto inspirado em acontecimentos verídicos que retrata a dor de um amor não correspondido, marcado por mentiras, julgamentos, bullying e oportunidades perdidas. Entre os corredor...
