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Capítulo: O Último Ato e o Primeiro Despertar
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{Zack On - Pensamentos}
Que velho maldito!
Como eu odeio esse velho!
Tomara que morra!
Os pensamentos fervilhavam na minha cabeça como água em ponto de ebulição. Cada lembrança do velho - seu sorriso sarcástico, suas ordens atravessadas, a forma como me tratava como lixo - fazia meus punhos cerrarem com tanta força que as unhas quase furaram minha própria pele.
- Se acalma, Zack - a voz de alguém ao meu lado tentou me trazer de volta à realidade, mas eu mal a reconheci. Minha visão estava turva de raiva.
- Você não quer voltar pra aquela empresa e explodir ela, não é? - a pessoa insistiu, com um tom de brincadeira que não me divertiu nem um pouco.
Foi então que algo chamou minha atenção.
No meio da pista.
Uma criança.
Pequena. Desprotegida. Com um olhar perdido, como se o mundo ao redor não existisse. E vindo em sua direção, um caminhão desgovernado - uma massa de metal e fumaça, com freios gritando em vão, um monstro de várias toneladas prestes a ceifar uma vida inocente.
- O que aquela criança tá fazendo ali?! - gritei, mas minhas pernas já estavam em movimento antes mesmo do cérebro terminar o pensamento.
- Aí, meu Deus! - ouvi alguém gritar ao fundo.
O tempo pareceu desacelerar.
Cada passo que eu dava era uma eternidade. A criança ainda não tinha se movido. Congelada. Como um passarinho diante do farol de um carro. O caminhão vinha rugindo, seu motor parecia o rugido de um leão faminto.
Minha única chance era uma: alcançá-la antes do impacto.
Estiquei os braços. Senti o ar cortar minhas mãos. O peso do meu corpo sendo arremessado para frente num mergulho desesperado. Meus dedos tocaram a roupa da criança - um tecido fino, quase etéreo - e com toda a força que me restava, a joguei para o lado, para fora da trajetória da morte.
Mas eu não consegui me salvar.
O impacto veio como uma parede de concreto. Um estalo surdo. O som de ossos quebrando, de metal amassando, de ar sendo expulso dos meus pulmões num sopro que parecia o último de toda uma vida. E então... o silêncio.
Não imediato. Primeiro, um zumbido. Depois, vozes.
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{Zack On - Pensamentos}
- Aí, meu Deus! Alguém chama ajuda!
- Liguem pra ambulância! Rápido!
- Ele vai morrer!
É isso que estou escutando agora, enquanto meu corpo está totalmente imóvel.
Curioso. Eu sempre imaginei que a morte fosse silenciosa. Algo solene, como um filme em preto e branco. Mas não. É barulhenta. Desesperada. Cheia de vozes que tremem, de passos correndo, de lágrimas que caem sem que eu veja.
Pessoas gritando desesperadas e pedindo ajuda... Me encontro em meu pior momento.
Tento mover um dedo. Nada. Tento abrir os olhos. Nada. Tento falar, dizer que estou bem, que dói mas estou aqui - e minha boca não responde.
Estou parecendo um filhote de cruz-credo. Deve ser patético.
Eu tinha planos, sabia? Nada grandioso. Apenas... morrer lindo enquanto dormia. Tipo um herói de cinema. Cabelo no lugar, rosto sereno, sem sangue. Mas não. Meus planos não saíram como o planejado. Novamente.
