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Além da linha de chegada

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Prólogo – Além da Linha de Chegada
O ronco do motor preenchia os boxes.
Valentina Azevedo fechou a viseira do capacete e respirou fundo.
Para milhões de pessoas, ela era apenas uma piloto prestes a largar.
Para ela...
Cada corrida era uma conversa silenciosa com o passado.
Passou os dedos pela parte de trás do capacete.
Um gesto rápido.
Discreto.
Quase imperceptível.
Ninguém sabia que aquele era o ritual que repetia antes de toda corrida.
Não era superstição.
Era saudade.
Seu pai havia sido piloto.
Um italiano apaixonado pela velocidade, que transformou a infância da filha em finais de semana nos autódromos, cheiro de gasolina e sonhos impossíveis.
Foi ele quem colocou Valentina em um kart pela primeira vez.
Foi ele quem a ensinou que vencer era importante, mas voltar para casa era ainda mais.
Anos atrás, um acidente levou sua vida.
E levou, junto, a única pessoa que fazia o mundo parecer simples.
Mesmo assim...
Ela nunca deixou de correr.
Nunca deixou de acreditar que cada volta na pista era uma forma de manter o pai vivo.
Do outro lado do mundo, sua mãe brasileira construía uma nova vida no Japão.
A distância nunca diminuiu o amor entre elas, mas fez Valentina aprender, cedo demais, o peso da solidão.
Com o tempo, ela se tornou exatamente o que o mundo esperava.
A brasileira de olhar firme.
A piloto que não baixava a cabeça para ninguém.
A mulher que respondia entrevistas com inteligência e um toque de sarcasmo.
Aquela que parecia não sentir medo.
Mas ninguém via o que existia por trás do capacete.
Ninguém sabia do relacionamento abusivo que quase destruiu sua confiança.
Ninguém imaginava que, toda vez que perguntavam sobre casamento ou filhos, ela respondia com um sorriso treinado:
— Minha família é minha equipe e meu carro.
Era mentira.
Uma mentira repetida tantas vezes que quase parece verdade.
Porque, no silêncio do apartamento, longe das câmeras e dos holofotes...
Valentina ainda sonhava com uma casa cheia.
Com risadas de crianças.
Com alguém esperando por ela depois de cada corrida.
Mas sonhar também dava medo.
Ela aprendera que amar era correr o risco de perder.
E perder era uma dor que conhecia bem demais.
— Dois minutos para a volta de apresentação.
A voz do engenheiro ecoou pelo rádio.
Valentina respirou fundo.
Ligou o carro.
O motor despertou.
As luzes vermelhas se acenderam.
Cinco.
Quatro.
Três.
Dois.
Um.
As luzes se apagaram.
Ela acelerou.
Sem imaginar que, em algum lugar do mundo, existia outra pessoa carregando cicatrizes invisíveis.
E que algumas histórias...
Não começam na linha de largada.
Começam muito depois da linha de chegada.




Notas da autora: 🩷
Gente é a minha primeira vez escrevendo algo, não conheço bem o aplicativo
Então o capitulo um é só um prólogo.
Espero que gostem! ⚡️⚡️

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