A mansão estava silenciosa naquela manhã.
Silenciosa demais.
O som mais alto vinha do jardim dos fundos, onde Kode estava agachado perto do lago artificial, segurando um pequeno pote de ração.
- Patrício, você está comendo rápido demais... - ele reclamou baixinho enquanto um pato branco bicava sua mão sem piedade. - Divide com o Patomel.
Os patos ignoraram completamente suas regras.
Kode suspirou dramaticamente.
- Vocês são péssimos irmãos.
- Senhor Kode.
O garoto levantou a cabeça rapidamente.
Uma das empregadas estava parada perto da porta de vidro da mansão.
- Sua mãe pediu para você ir até o escritório dela.
Os olhos azuis dele brilharam.
- Ah! Será que ela comprou meus cadernos?!
Ele levantou tão rápido que quase escorregou na grama molhada.
Os patos começaram a grasnar atrás dele como se protestassem pela fuga.
- Eu volto depois!
Patolfo o seguiu por alguns segundos antes de desistir.
O escritório de Praticia ficava no andar mais alto da mansão.
Grande. Elegante. Silencioso.
Mas diferente dos escritórios assustadores de filmes de máfia, aquele tinha flores claras perto da janela e cheiro de chá.
Praticia estava sentada atrás da mesa, sorrindo suavemente enquanto lia alguns documentos.
Pequena. Loira. Calma.
Assustadora.
Na frente da parede ao lado da porta, parado em silêncio absoluto, estava alguém que Kode nunca tinha visto antes.
Roupa escura. Braços cruzados. Máscara cobrindo o rosto. Cabelo branco caindo sobre os olhos.
E várias cicatrizes aparecendo nas mãos.
Kode arregalou os olhos.
"Uau."
Praticia levantou o olhar.
- Kode, querido. Fecha a porta, por favor.
Ele obedeceu imediatamente, mas continuou encarando o desconhecido sem nenhuma vergonha.
O homem encarava de volta.
Sem expressão.
Sem nem piscar direito.
O clima ficou silencioso por alguns segundos.
Então Kode sorriu.
- Você parece um personagem de jogo.
Silêncio.
Praticia levou a xícara até os lábios tentando esconder o sorriso.
O desconhecido finalmente falou:
- E você parece alguém que morreria nos primeiros quinze minutos.
Kode piscou.
Depois sorriu mais ainda.
- Ah, então você fala.
Praticia tossiu discretamente.
- Kode, esse é Yuyu.
- Oi, Yuyu!
- Infelizmente.
- Yuyu... - Praticia advertiu calmamente.
- Tô sendo educado..
Kode parecia genuinamente interessado.
Ele se aproximou sem medo nenhum.
Yuyu observou imediatamente:
passos leves
cheiro doce de pão recém assado
nenhuma noção de perigo
Ótimo. Perfeito. Maravilhoso.
Ia ser um inferno.
- Sua máscara é confortável? - Kode perguntou.
- Não.
- Então por que usa?
- Porque eu quero.
- Ah.
Silêncio.
- Você fuma?
- Sim.
- Minha mãe diz que isso mata.
- Essa é a ideia.
Praticia fechou os olhos lentamente.
- Yuyu.
- O quê? Ele perguntou.
Kode começou a rir.
Rir.
Como se aquilo fosse engraçado.
Yuyu ficou olhando em silêncio por alguns segundos.
Estranho.
Muito estranho.
Normalmente pessoas:
evitavam olhar pra ele
tinham medo
ficavam desconfortáveis
Mas Kode só parecia... curioso.
Como uma criança encontrando um gato de rua perigoso e pensando: "posso tocar?"
Praticia finalmente se levantou da cadeira.
- Kode, eu tenho algo importante para te contar.
O garoto imediatamente prestou atenção.
Ela respirou fundo.
- Você vai começar a frequentar a escola em algumas semanas.
Silêncio.
Então os olhos dele começaram a brilhar tanto que parecia absurdo.
- Sério?!
- Sim.
- Escola normal? Com outras pessoas?!
- Sim.
- Amigos?! Cantina?! Educação física?! Eventos escolares?!
- Talvez menos entusiasmo na parte da educação física.
Kode parecia prestes a explodir de felicidade.
Yuyu parecia prestes a desenvolver dor de cabeça.
Praticia continuou:
- E o Yuyu vai cuidar da sua segurança.
Silêncio.
Kode olhou pro alfa.
Depois sorriu daquele jeito absurdamente sincero.
- Então agora somos parceiros?
Yuyu respondeu imediatamente:
- Não.
- Amigos?
- Também não.
- Melhor amigo?
- Você tá tentando morrer?
Kode riu de novo.
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★Segurando um Pato★
FanfictionBasicamente o Yuyu é segurança do Kode. Omega verso (não sei como escrever)
