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Kageyama Tobio nunca foi alguém que se deixasse abalar pelo nervosismo. Na verdade, na maioria das vezes, ele era alguém extremamente confiante em suas habilidades e sorte, muito seguro de suas decisões.

Mas havia algo quando se tratava de sua mãe que o deixava suando frio, tomado por uma ansiedade que mal sabia controlar. Desde novo, sua mãe raramente ficava em casa e o deixava aos cuidados de sua irmã mais velha, Miwa, e de seu avô. E nas poucas vezes que estava em casa, era a todo momento em ligações e nunca dava a devida atenção aos seus filhos. Era difícil, sim, mas Tobio aprendeu a conviver com a ausência materna mais rápido do que gostaria de admitir.

Devido a ausência constante da mãe, a distância entre ela e seus filhos era indescritível. Miwa até já havia desistido de conversar com ela, preferindo o silêncio do que ser ignorada. Ela já havia perdido a paciência com a mãe diversas vezes, mas nunca aconselhou Tobio a fazer o mesmo. No fundo, Miwa desejava que, se a mãe não quisesse conversar com ela, pelo menos fosse um pouco próximo ou presente da vida de Tobio.

Seu avô, Kazuyo, foi quem criou Miwa e Tobio e foi também o principal apoio do garoto para ingressar no vôlei. Desde novo, era Kazuyo quem dava algumas aulas de vôlei ao neto quando percebeu seu interesse pelo esporte e foi o primeiro a elogiar e notar suas habilidades. Miwa sempre torcia pelo irmão ao vê-lo jogar com o avô, e nas raras vezes que participava, se divertia junto ao mais novo.

Kageyama Kazuyo se esforçou ao máximo para suprir a ausência de sua filha alí. Já cansou de conversar com ela e, vendo que não teria resultados, foi o pilar dos irmãos Kageyama. Era ele que ia nas reuniões escolares dos netos, foi ele quem aconselhou Tobio a participar do time de vôlei do ensino fundamental e era sempre ele e Miwa que iam aos seus jogos.

Vôlei era o terceiro pilar da vida de Kageyama Tobio, tão firme quanto os outros dois que o mantinham de pé. Dentro da quadra, ele respirava diferente. Era ali que os ruídos do mundo se calavam, que os medos diminuíam e que ele finalmente sentia que tinha controle sobre algo. Seus movimentos pareciam naturais, quase instintivos, como se cada passe e levantamento estivesse gravado em seu corpo desde sempre.

Por isso, o vôlei não era apenas um esporte para ele - era um lugar seguro, um refúgio, e o único espaço onde Tobio conseguia, de verdade, ser inteiro.

Mas, no momento atual, o vôlei estava sendo seu problema. Sentado na cama, Tobio encarava a autorização como se fosse uma sentença. Precisava daquela assinatura para viajar com o time para outra cidade - um procedimento simples, algo que ele já tinha feito inúmeras vezes e que certamente faria muitas outras, se quisesse continuar jogando. Mas o problema não era o papel, mas sim quem precisava assiná-lo.

Até então, Miwa ou seu avô cuidavam disso sem hesitar, sem questionar, sem transformar aquilo em um peso. Mas no momento, Miwa estava presa no trabalho e seu avô estava dormindo, depois de organizar todo o jardim na casa. Tobio se sentia mal se acordasse o avô, sabendo o quão cansado ele estava ali.

Pela primeira vez em muito tempo, a mãe de Tobio, a senhora Kokoro, estava em casa. Tobio conseguia ouvir sua voz abafada vindo da cozinha, mas não conseguia entender uma só palavra. Com o telefone colado na orelha, mergulhada em mais uma conversa que parecia mais importante do que tudo ao redor.

"Idiota laranja:
Kageyama! Já conseguiu o papel assinado?
Minha mãe acabou de assinar!!!
Ansioso para amanhã!!!!
Você vai levantar bastante pra mim, né!??!"

Kageyama se deixou soltar uma risada baixa com as mensagens de Hinata. Sua clara animação por tudo aquilo fazia com que o peso sobre Kageyama sumisse um pouco.

.os olhos dela - kageyama centricDes histoires addictives. Découvrez maintenant