Capítulo 1

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Stella Lancaster

Los Angeles, Estados Unidos
7:30AM

1 ano depois...

Um ano.

Parece que foi ontem que eu estava no Brasil, despedindo da minha mãe no aeroporto, as lágrimas teimando em escorrer enquanto ela me abraçava como se eu fosse partir para sempre. E agora, aqui estou eu em Los Angeles, na cobertura de um prédio tão alto que parece tocar o céu, com a mulher que eu amo dormindo ao meu lado e o som da cidade lá embaixo, pulsando como um coração gigante.

Tanta coisa mudou nos últimos meses.

Eu me virei na cama, os dedos percorrendo o rosto de Fernanda com a delicadeza de quem ainda não acredita que aquilo é real. Ela estava de bruços, os cabelos pretos espalhados pelo travesseiro como tinta derramada. A respiração dela era lenta, profunda, o peito subindo e descendo num ritmo que me acalmava só de observar.

Um ano atrás, eu estava no hospital, segurando a mão dela enquanto ela lutava pela vida. E agora... agora ela estava aqui. Viva. Minha. E a gente tinha construído tudo isso juntas.

Olhei para o teto, sentindo o sorriso surgir nos meus lábios.

A casa no Brasil era enorme, uma mansão que Fernanda insistiu em comprar. "A gente precisa de um lugar que seja nosso", ela disse, com aquela teimosia que eu amava. "Um lugar onde a gente possa construir uma família, se um dia a gente quiser." E eu concordei, porque com ela, eu concordava com tudo.

A mansão tinha quartos demais, um jardim que parecia infinito, e uma piscina que brilhava sob o sol. Era o tipo de casa que a gente via em revistas, que parecia boa demais para ser verdade. Mas era nossa. Cada canto, cada parede, cada lembrança sendo construída ali.

E as viagens... Deus do céu, as viagens.

Fernanda não parava. Depois que o Fire & Gasoline virou um sucesso absoluto, lotado todas as noites, com filas na porta e pilotos famosos fazendo questão de aparecer, ela começou a querer ver o mundo. E eu fui junto, claro. Como não ir?

Nós fomos para a Itália primeiro. Fernanda queria ver as pistas de corrida europeias, e eu queria ver os ateliês de moda. Ela passou três dias andando de carro em Monza enquanto eu visitava lojas em Milão. Depois fomos para a França, para a Alemanha, para o Japão. Em Tóquio, ela comprou uma réplica de um carro de corrida antigo que cabia na palma da mão, e eu chorei de rir quando ela colocou na prateleira ao lado da miniatura do GTR.

E o Fire... o Fire nunca parou de crescer. Carla tinha feito um trabalho impecável transformando o lugar em algo legalizado, seguro, profissional. Mas foi Fernanda quem deu o toque final, quem trouxe os pilotos famosos, quem fez as parcerias internacionais, quem transformou o Fire em um ponto de encontro para apaixonados por velocidade de todo o mundo. Toda noite, o lugar lotava. Gente de tudo quanto é lugar, de todas as idades, todos unidos pela mesma paixão.

E eu assistia tudo do lado de fora, com um orgulho que não cabia no peito.

Mas o que realmente mudou minha vida foi a marca.

Valentina Milano.

O nome surgiu em uma noite de insônia, quando Letícia e eu estávamos sentadas na cozinha da nossa primeira loja inacabada, tomando café e desenhando croquis em guardanapos. A gente queria um nome que fosse sofisticado, que soasse internacional, que tivesse classe. Letícia sugeriu "Milano" por causa de uma viagem que a gente fez juntas, e eu sugeri "Valentina" porque eu gostei do nome e também porque combinava.

As Metades Que Não Escolhemos (VOL.2)Stories to obsess over. Discover now