Capítulo 1/5

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O despertador ainda não tinha tocado quando Barry abriu os olhos. Ficou olhando o teto, tentando situar o dia, a cidade, o próprio corpo. Central City continuava lá fora, com os mesmos prédios, os mesmos semáforos piscando amarelo na esquina. Só que alguma coisa na ordem das coisas tinha mudado, e ele ainda não sabia nomear o quê.

Levantou-se e foi até o espelho. O cabelo estava em pé de um lado só, feito uma antena presa num vento que não existia mais no quarto. Molhou a mão na pia e tentou baixar o topete. Não adiantou. Vestiu a primeira camisa que encontrou e desceu para a cozinha.

Joe já estava lá, de costas, mexendo alguma coisa na panela.

— Ovos... ou vou fingir que perguntei. — disse Joe, sem se virar.

— Ovos. — Barry sentou-se no banquinho, cotovelos na bancada.

Joe colocou o prato na frente dele e ficou parado ali um segundo a mais do que o normal, avaliando o filho adotivo como quem confere se uma peça está no lugar certo.

— Dormiu?

— Um pouco.

— Quanto é um pouco?

Barry mexeu no ovo com o garfo sem levá-lo à boca.

— O suficiente pra não cair de cara no laboratório.

Joe assentiu, serviu café pra si mesmo e ficou encostado na bancada, mastigando uma torrada. Não perguntou de novo. Só ficou ali, e Barry comeu em silêncio, agradecido por isso.

Wally desceu as escadas pulando os últimos três degraus, já com o boné torto e um copo de suco na mão.

— Aquele carro branco de novo saiu no noticiário matinal fazendo cento e quarenta na Marshall — anunciou, como se estivesse contando um gol. — Falaram que quase bateu num poste.

— E você soube disso como? — perguntou Joe.

— Grupo do WhatsApp do bairro, Joe. Todo mundo tá nervoso esta semana.

— Todo mundo sempre tá nervoso esta semana. — resmungou Joe, olhando o relógio.

Barry só ouviu, mastigando devagar, enquanto Wally continuava falando sobre o carro, sobre uma reportagem que tinha visto na noite anterior, sobre uma van de mudança parada em fila dupla que travou o trânsito da Sexta com a Alameda. Ninguém prestou atenção total. Era assim quase toda manhã.

(...)

Em S.T.A.R. Labs, Cisco já estava com os pés em cima da mesa quando Barry chegou, comendo alguma coisa de um pote de plástico que parecia ter passado da validade havia dias.

— O que é isso? — perguntou Barry.

— Sobras de ontem. Ou anteontem. Perdi a conta.

— Isso devia te preocupar.

— Menos do que devia me preocupar o fato de que o H.R. reorganizou meu estoque de peças ontem à noite "por estética".

Do outro lado do laboratório, um homem de barba rala e colete estranho apareceu carregando uma caixa de componentes eletrônicos como se fosse um troféu.

— Cisco, encontrei um lugar melhor pros seus... — ele girou a mão no ar, procurando a palavra. — Bugigangas.

— Não são bugigangas, H.R. É o painel de frequência que eu levei três meses pra calibrar.

— Painel de frequência soa bem melhor organizado por cor, não acha?

Cisco fechou os olhos, respirou fundo e decidiu não responder. H.R. Wells não era o Wells que Barry tinha conhecido antes, o de outra Terra, o que tinha ajudado a criar o acelerador de partículas. Esse aqui vinha de um lugar totalmente diferente, escrevia livros que nunca terminava e tratava o laboratório como material de pesquisa para o próximo capítulo. Barry ainda não tinha decidido se gostava disso.

SnowBarry FlashPointHistórias para pegar e não largar. Descubra agora