𝓟rólogo

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A sala de reuniões parecia um vulcão prestes a entrar em erupção.

"Quem aprovou essa foto?!"

"O príncipe já saiu dos aposentos?"

"Cadê a equipe de filmagem?"

"O discurso foi impresso? Pelo amor de Deus, me digam que sim!"

Papéis mudavam de mãos, telefones tocavam em uma cacofonia ensurdecedora e assessores cruzavam o cômodo quase correndo, cada um tentando apagar um incêndio diferente.

No centro daquele caos absoluto, Hanna permanecia surpreendentemente calma.

Ou, pelo menos, era essa a ilusão que ela lutava para manter. Por baixo do blazer impecável, seu estômago estava revirado. Com um tablet apoiado no antebraço e a agenda oficial aberta na outra mão, ela distribuía instruções sem sequer levantar os olhos da tela. Uma eficiência fria e cirúrgica.

— A coletiva começa em quinze minutos. O fotógrafo oficial já está posicionado? — ela perguntou, a voz cortando o burburinho.

— Já, Hanna.

— Ótimo. A transmissão?

— Testada e estável.

— E onde está o príncipe Park?

O silêncio súbito que tomou conta da sala foi a pior resposta possível. O som das digitações parou. Os telefones pareceram emudecer.

Hanna ergueu lentamente o olhar, encarando a equipe.

— ...Não me digam que ele sumiu de novo.

Um dos assessores pigarreou, abrindo um sorriso tenso e constrangido.

— Digamos que Sua Alteza teve... um desejo repentino de admirar os jardins floridos.

Hanna sentiu um músculo sob o olho esquerdo dar um pequeno espasmo de nervoso. Ela preferiu fechar os olhos e focar na própria respiração.

Inspira.
Expira.
Um, dois, três.

— Claro que teve — ela murmurou, a voz perigosamente mansa.

Guardou o tablet debaixo do braço, alisou a frente do blazer azul-marinho e caminhou em direção à porta de carvalho.

— Eu vou buscá-lo.

Ninguém tentou impedi-la. Ninguém ofereceu ajuda. Afinal, todos no palácio sabiam de uma regra não escrita: quando o príncipe Jimin decidia se rebelar contra a agenda, apenas Hanna Miller conseguia arrastá-lo de volta à realidade.

Em passos rápidos e duros, Hanna cruzou a residência Park até alcançar os portões de vidro dos fundos.

O jardim era o único lugar da propriedade onde o mundo parecia entrar no modo mudo. Longe dos flashes estourados das câmeras. Longe dos jornalistas abutres. Longe das expectativas irreais.

Não demorou para encontrá-lo.

Park Jimin estava sentado em um banco de madeira rústica de frente para o lago artificial, observando o reflexo da água como se não existisse uma monarquia inteira aguardando por ele a poucos metros dali.

𝓟ríncipe 𝓟arkGeschichten, die süchtig machen. Entdecke jetzt