POV: Natália
Mais uma madrugada em claro. Não é nenhum segredo o motivo do meu estresse diário, que, pra ser sincera, nem eu aguento mais. Mas como meus remédios já não fazem mais efeito em mim, o que me resta é torcer pro sono vir todas as noites, uma após a outra.
As gotas de chuva escorriam pela janela do quarto, da mesma forma que os raios de sol atravessavam a fresta da cortina, fazendo com que a luz batesse no meu rosto. E aí está ele, o sol, me dando um belo de um "bom dia, caralho!". Sol e chuva? A natureza me surpreende demais.
Rolei na cama de um lado para o outro por um bom tempo, na expectativa de conseguir tirar pelo menos um breve cochilo antes da minha hora de levantar. Mas não obtive sucesso. Viro-me pro lado e vejo o relógio fofinho de luzinha de estrelinhas, que contrastava com toda a estética do meu quarto minimalista e frio, me mostrar o horário: 07:12. Duas horas após ser despertada com a luz que insistia em me acordar. Culpado: a porra do sol.
- Não acredito que só tive 6 horas de sono, que merda! Justo hoje? - digo, me espreguiçando na cama enquanto resmungo, tal qual uma criança. Até que, por fim, me dou por vencida e levanto num pulo, na expectativa de finalmente despertar meu corpo.
Minha rotina matinal corria normalmente, até as 08:52: o momento em que saí de casa para realizar meu teste de elenco. Minha barriga já criando um nó, minhas pernas bambas, meu cérebro criando mil e uma paranoias. Juntando tudo isso com uma péssima noite de sono, mal dormida, por sinal, se eu não confiasse na ótima atriz que sou, me consideraria ferrada.
- Caceta, ninguém quer trabalhar hoje, não? Bora! - reclamo enquanto espero um motorista aceitar minha corrida até o estúdio. - AHAM, CARA! - exclamo, dando um pequeno salto ao ver minha corrida aceita e o carro vindo em minha direção. "Corrida a 1m", leio enquanto saio do elevador. Logo saio para fora do hall do prédio e avisto o motorista. Entro no carro e damos partida. Então vejo o horário na tela do meu celular marcar 9:00 em ponto. Chego lá antes das 10h.
Chegando ao meu destino, o Uber me deixa na rua de frente do prédio, o que já me estressa. Mas não tem problema. Respiro fundo e me lembro que é só atravessar a rua. Dito e feito: saio do carro, olho pros dois lados, sem carros, e atravesso tranquilamente até ouvir uma buzina com um volume anormal, chegando cada vez mais perto. Olho pro lado e avisto um carro. Simplesmente quase sou atropelada. Hoje definitivamente não é o meu dia.
- PORRA, FILHA DA PUTA! TÁ LOUCA? - grito com a mão no peito, buscando ar, e a outra mão apoiada no capô do carro, o que me mostra que, realmente, por um triz eu não estou por baixo do mesmo. - Cara...
- Caralho, você tá bem? Eu... desculpa, não te vi e... - diz a mulher, uma loira alta de corpo atlético. Parecia o sol. Ela nem era tão bonita, saindo do carro desesperada e com os olhos arregalados em cima de mim. Olhos azuis como o céu, como o mar... olhos carregados de preocupação. Ou, pelo menos, fingindo se preocupar. Buscava respostas para o que acabara de acontecer. Respostas que eu também procurava.
- Tô bem, eu tô... - digo, me recompondo. Até que levanto meu olhar e encaro a tal atropeladora de veganas, fazendo com que nossos olhos se encontrem por breves segundos. Segundos que são logo cortados por mim assim que a vejo se aproximar. - Sim, eu estou bem! Mais atenção da próxima vez. - digo, seca, direta e clara, dando um passo para trás e recriando a distância inicial entre os nossos corpos.
- Desculpa aí, esquentadinha! - diz a loira com seu forte sotaque carioca. Carioca da gema, eu suponho. Assim que ouço o que ela acaba de dizer, me aproximo, deixando um mínimo espaço entre os nossos corpos.
- "Esquentadinha"? Garota, quem apareceu do nada na rua e quase me atropelou foi você. Olha como você fala comigo! - digo, olhando pra cima por conta da nossa considerável diferença de altura, com o dedo apontado na cara da mais alta. Ela solta uma arfada num sorriso debochado que deixa em evidência seus dentes caninos brilhantes.
- Oh, sua nanica... - diz, olhando nos meus olhos e abaixando meu dedo com a palma da sua mão. - Já disse que foi um acidente. Você apareceu do nada. Se acalma aí, parceira. - diz com uma voz suave, porém provocativa, logo me dando uma piscadinha. O que me deixa ainda mais estressada.
- Você é patética, ridícula! - digo, dando passos pra trás. Reviro o olho e me dirijo até o prédio para o qual eu ia inicialmente, deixando a mulher lá na rua, sozinha. - Loira burra do caralho. - resmungo baixo, entrando no prédio.
- Natália, respira, se concentra... Você tem um teste a fazer e um papel a conquistar. - Após me recompor, vou até a secretária que ali estava e que me direcionou até onde seria o teste. E assim fui. Cheguei ao local onde iria esperar minha vez às 09:50, no tempo certo.
Tentava manter a calma e o foco enquanto aguardava minha vez naqueles longos minutos, até que meu nome é chamado e entro na sala, onde sou recepcionada com vários olhares curiosos e sorrisos acolhedores.
- Bom dia, Natália Rosa, certo? Meu nome é Natalie Smith, é um prazer tê-la aqui conosco para a realização deste teste. - diz a morena, me olhando e tentando transparecer a maior calmaria possível. - Você realizaria o teste com uma outra atriz que escalamos para contracenar com você no teste, mas aparentemente ela não chegou a tempo, então...
Sua fala é interrompida pelas batidas na porta, que é logo aberta pela mesma mulher que chamou meu nome para que eu entrasse na sala. - Com licença, o par da Natália. Ela chegou. Mando ela entrar?
- Caramba, um pouquinho atrasadinha, né? - ela diz, numa gargalhada frouxa, porém rouca, tentando descontrair a situação. - Isso é que eu chamo de destino. Sim, a mande entrar, por favor. Agora.
- Mil perdões pelo atraso, o trânsito... - a mulher entra apressada, já se justificando.
- Essa voz... - penso comigo mesma, me virando para olhar minha parceira de cena. Até que ela olha pra mim e eu olho pra ela.
- Você? - dizemos juntas, em alto e bom tom, com os olhares cravados. Aqueles olhos azuis da cor do mar, que agora me afogam em um oceano repleto de ódio.
————————
oi vidas, nunca escrevi uma fic, vou tentar fazer caps maiores das próximas vezes, no mais, espero que vocês tenham gostado do capítulo de hoje, não esquece de dar a estrelinha! 🖤
YOU ARE READING
Ponto off
FanfictionOnde o PONTO de vista é o que mais importa, pois é no OFF que a magia acontece. Destino ou coincidência? Quando dois caminhos se cruzam, o que resta é torcer para que seja para o bem, mas não foi exatamente isso que aconteceu com Natália e Sofia, o...
