piloto

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Capitulo 1

O bosque de Black Hollow não aparecia nos mapas mais recentes. Era como se a cidade tivesse decidido fingir que ele não existia. Mas Sckarlet sabia: lugares esquecidos eram os preferidos das criaturas.
A névoa rastejava pelo chão como um aviso silencioso.
Ela caminhava com passos calculados, o sobretudo escuro ocultando duas pistolas presas ao coldre lateral. Ambas carregadas com balas de prata. O peso delas não era apenas físico - era responsabilidade.
Um estalo ecoou.
Depois outro.
O cheiro veio antes da visão: pelo molhado, sangue seco, carne crua.O segundo avançou por trás.
Ela girou o corpo e atirou novamente - o tiro pegou de raspão. Não suficiente.
O lobo saltou.
O mundo desacelerou.
Um disparo diferente ecoou, mais grave, mais potente.
A criatura foi lançada para trás antes de tocá-la.
Sckarlet virou-se rapidamente.
Entre as árvores, um homem segurava uma espingarda de cano serrado, ainda soltando fumaça.
Camisa vinho escura, olhar firme, postura de quem já enfrentou o inferno e voltou.
- Você costuma aceitar ajuda ou sempre prefere morrer sozinha? - ele perguntou.
- Quem é você? - ela respondeu, arma ainda apontada.
- Danniel.
Outro rosnado.
Sem troca de planos, os dois se posicionaram lado a lado.
Ela com pistolas duplas. Ele com a espingarda carregada de prata.
Disparos cortaram o silêncio como trovões.
Um lobo caiu. Depois outro.
O último recuou, desaparecendo na mata.
O silêncio voltou pesado.
Sckarlet baixou lentamente as armas, mas não a guarda.
- Eu tinha controle.
Danniel sorriu de lado.
- Claro que tinha.
Então veio o uivo.
Mais grave. Mais antigo.
A névoa se abriu lentamente, como se obedecesse a uma presença maior.
E ele surgiu.
O alfa.
Imenso. Cicatrizes cruzando o peito. Olhos vermelhos ardendo como brasas. Não era apenas um lobisomem. Era algo além da maldição comum.
Danniel travou o maxilar.
- Isso não é um simples alfa.
- Lobisomens... - ela murmurou.
Olhos dourados se acenderam entre as árvores. Quatro deles. Cercando.
Sem hesitar, Sckarlet sacou as duas armas em um movimento fluido.
O primeiro disparo cortou a névoa e atingiu o peito da criatura à esquerda. Ela caiu urrando, a prata queimando a carne como fogo.
O segundo lobo avançou pela direita.
Danniel puxou o gatilho.
O estampido da espingarda sacudiu o bosque. A criatura foi arremessada contra uma árvore, ossos estalando antes mesmo de tocar o chão.
O alfa não se moveu.
Ele observava.
Aprendendo.
- Ele tá estudando a gente - Danniel murmurou, recarregando com movimentos rápidos.
Sckarlet respirava controlado. Dois lobos restantes circulavam, tentando abrir espaço.
- Então vamos dar algo interessante pra ele ver.
Um dos lobos saltou. Ela deslizou para trás, atirando duas vezes no ar. O primeiro tiro errou de propósito.
O segundo acertou o joelho.
A criatura tombou.
Danniel finalizou com um disparo limpo.
Silêncio.
Agora só restava o alfa.
Ele avançou.
Não correndo.
Andando.
Cada passo fazia a terra vibrar.
Os olhos vermelhos fixos em Sckarlet.
- Ele quer você - Danniel disse baixo.
- Sempre querem.
O alfa investiu de repente, rápido demais para o tamanho que tinha.
Sckarlet atirou.
A bala atingiu o peito.
Nada.
Nenhuma reação.
Danniel disparou logo em seguida.
A criatura apenas inclinou a cabeça, como se o impacto fosse... incômodo. Não letal.
- A prata não tá funcionando - ele rosnou.
O alfa abriu a boca.
Mas não foi um uivo que saiu.
Foi uma voz.
- Vocês mataram os meus.
A névoa começou a girar ao redor dele, como se estivesse viva.
Sckarlet sentiu algo diferente.
Não era só licantropia.
Era ritual.
Marca.
Invocação.
Danniel percebeu ao mesmo tempo.
- Isso é magia antiga.
O alfa sorriu. Um sorriso humano demais para algo daquele tamanho.
- Vocês não estão caçando monstros.
- Então o que você é? - Sckarlet perguntou, firme.
Os olhos dele brilharam ainda mais forte.
- Eu sou a primeira maldição.
E então ele desapareceu.
Não correu.
Não saltou.
Sumiu.
A névoa caiu pesada outra vez.
O bosque ficou em silêncio absoluto.
Danniel quebrou o momento:
- Ótimo. Um alfa imortal com complexo de deus. Era tudo que eu precisava numa quinta-feira.
Sckarlet guardou as pistolas devagar.
- Ele não é imortal.
- Não?
Ela olhou para a floresta, calculando.
- Nada é.
Uma pausa.
- Mas a gente vai precisar de mais do que prata.
Danniel ergueu uma sobrancelha.
- Tipo o quê?
Ela respondeu sem olhar para ele:
- Respostas.
E no tronco de uma árvore atrás deles, uma marca começou a se formar na madeira.
Um símbolo antigo.
Queimando.

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⏰ Last updated: Jul 01 ⏰

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