PRÓLOGO

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Eu definitivamente não esperava chegar até aqui.
Eu tinha 14 anos quando comecei a acompanhar diferentes grupos de kpop. Na época, eu ainda morava em Shibuya, no Japão, com meu pai, que digamos não ser a melhor pessoa que ja conheci.
Meu pai, Takashi Miyazaki, é um homem extremamente rico e até que muito conhecido na Ásia - CEO de uma grande empresa de tecnologia - oque significa que eu acabo recebendo fama também.
Aos 10 anos eu ja era famosa no dancetok e também era modelo infantojuvenil de marcas japonesas muito famosa.

Quando eu tinha 14 anos eu comecei a me interessar muito pelo kpop, comecei a colecionar photocards e fui em muitos shows, como Blackpink, Twice, Ateez.
Aos 18 anos eu me mudei para Coreia, para morar com minha mãe. Meu pai viajava muito por conta do trabalho, e minha mãe na época estava doente, então depois de muito insistir, meu pai aceitou dar minha guarda a ela. Alem de tudo, eu também entrei numa das melhores universidades da Coreia do Sul, e comecei a cursar moda.

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04 de agosto de 2024 - Universidade Nacional de Seul (SNU), Seul, Coreia.

Não sei se a sala está estranhamente tranquila hoje ou se eu que estou viajando de novo. A professora está explicando algo que eu definitivamente não estou prestando atenção, ja que minha cabeça está na peça de roupa que irei apresentar daqui uma semana.

A semana avaliativa é semana que vêm, e o professor de costura e desing quer que façamos uma peça de roupa que usariamos num desfile com o tema "Inovação e futuro". Resumindo, ele quer que os alunos coloquem o maximo de criatividade no projeto.

Eu estava pensando em fazer um vestido, por que de acordo com os dados inventados na minha cabeça, assim será mais fácil de produzir. O desing do vestido está pronto - quero algo que envolva um relógio quebrado, pra simbolizar algo como "o tempo acabou, o futuro é agora" - e eu ja tenho uma lista de quais tipos de tecido e materiais eu vou usar, só falta terminar de comprar tudo e começar a costura.
Além disso preciso pensar em acessórios.
Eu estava pensando em usar um tipo chapéu que cubra um dos olhos, tipo um chapéu com uma renda costurada ou algo assim, talvez...

"senhorita miyazaki?" a voz da professora corta meus pensamentos e só então eu lembro que ainda estou na aula de Marketing de Moda. "Pode repetir oque eu acabei de falar?"

Merda. Olho para trás da mulher, tentando ver algo que possa me ajudar nas poucas anotações que ela coloca na lousa para não perder o raciocínio. Storytelling, talvez se eu inventar algo...

"O storytelling é essencial porque mesmo que você não saiba oque ta falando, se você falar com convicção, você pode convencer alguém a comprar até a maior besteira" Eu falo fingindo que eu não acabei de falar qualquer coisa que veio na minha mente.

A professora olha pra mim de um jeito que me faz perceber que eu falei uma frase correta, mas que definitivamente não era oque ela tinha acabado de falar. "Preste mais atenção, ou vai acabar não conseguindo apresentar seu trabalho na semana que vêm." ela diz e volta a explicar a matéria, e eu sei que dessa vez ela resolveu fingir que não viu que eu estava pensando em qualquer outra coisa que não fosse o conteúdo.

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"Hanna !" A aula acaba e eu estou prestes a sair da sala quando ouço uma voz familiar me chamando. Lya, minha melhor amiga. Nós nos conhecemos quando entramos na mesma sala e ela me encheu de perguntas ao descobrir que eu sou japonesa. A garota tem algum tipo de obsessão pela cultura japonesa, principalmente quando estamos falando de lendas de terror japonês.

"Não vou passar o intervalo contando historias do Japão, se for isso que quer" digo parando e olhando para trás, vendo a ruiva vir em minha direção. "Ja 'tô me cansando de tanto contar sobre o Japão antigo"

"Não é isso, bobona. Quero que olhe isso" ela praticamente enfia o celular na minha cara e eu tenho que fechar os olhos para que o brilho nãome cegue, porque ela sempre deixa a iluminação máxima?! Eu pego o telefone, a tela mostrando uma pagina do site da SM Entertainment. Audições abertas para debut solo. "Eu tava pensando, se talvez você não toparia fazer as audições?" Minha reação ao ouvir a pergunta foi arquear a sobrancelha e olhá-la com cara de 'é serio isso?' e ela logo entende. "Qual é! Você ja tem uma conta de dança extremamente famosa e eu ja te ouvir cantar vezes o suficiente pra saber que você tem grandes chances. Eu posso fazer a audição também, se isso te deixar mais confortável."

e foi assim que Lya ficou o intervalo inteiro insistindo pra que eu fizesse a audição, até eu aceitar. Não é que eu não achasse uma boa ideia, a ideia era incrível. Por mais que tenha a parte ruim - dietas rigorosas, treinamento e rotina rigida, e obvio, aquela parte de fãs e haters que chegavam a ser toxicos - a ideia de compor musicas, de dançar e cantar profissionalmente, de se apresentar em palcos e poder ser a inspiração de pelo menos algumas pessoas, era um grande ponto. Mas para ser aceito nessas audições, ou você tem uma beleza divina, ou você tem um talento absurdo, além da pressão que deve ser.

Oque importa é que agora eu estou inscrita em uma audição para uma das empresas mais famosas do pop coreano. Onde foi que eu me meti?

Ecos do PassadoStories to obsess over. Discover now