O começo da maré

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Elena

Existe uma pergunta que sempre me acompanhou, mesmo quando eu fingia não escutá-la.

"Até quando você vai continuar tentando ser suficiente?"

Durante muito tempo, achei que a resposta estivesse dentro do mar.

Se eu treinasse mais.

Se eu vencesse mais campeonatos.

Se minha nota fosse a mais alta.

Se meu nome aparecesse no lugar mais alto do pódio.

Talvez, só talvez, eu finalmente escutasse aquilo que sempre esperei ouvir.

"Tenho orgulho de você."

Mas essa frase nunca chegou.

E, depois de anos tentando conquistá-la, eu simplesmente parei de esperar.

Foi exatamente por isso que aceitei o convite da Epique Sirenas.

Não porque fosse a equipe mais conhecida do circuito.

Nem porque a ilha onde elas treinavam era considerada um dos melhores picos do país.

Aceitei porque precisava fugir.

Fugir da rotina.

Das cobranças.

Das entrevistas.

Dos fotógrafos esperando qualquer deslize.

E, principalmente...

Da versão de mim mesma que existia quando meu pai estava por perto.

Encostei a cabeça no vidro da janela da van enquanto observava a estrada desaparecer atrás de nós.

As árvores passavam depressa, formando manchas verdes que se misturavam umas às outras.

Brida dormia no banco ao meu lado desde que saímos da cidade.

Como ela conseguia fazer aquilo era um mistério.

Eu estava nervosa demais para fechar os olhos.

Na verdade, fazia dias que eu não conseguia dormir direito.

Toda vez que tentava, minha cabeça insistia em revisitar lembranças que eu preferia esquecer.

As finais.

Os gritos do meu treinador.

As reportagens.

Meu pai analisando vídeos das minhas baterias como se cada erro fosse um crime.

Respirei devagar.

Não.

Eu não queria pensar naquilo.

Não mais.

Apoiei o cotovelo na janela e continuei observando a paisagem.

O céu começava a ganhar tons alaranjados.

A luz atravessava as copas dos coqueiros e desenhava sombras compridas sobre a estrada.

Era bonito.

Bonito de um jeito simples.

Sem filtros.

Sem arquibancadas.

Sem câmeras.

Meu celular vibrou sobre meu colo.

Nem precisei olhar para a tela para saber quem era.

Meu pai.

Pela terceira vez naquela manhã.

Entre ondas e tempestades - Billy e Elena | JUACASStories to obsess over. Discover now