Vermelho

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As manchas vermelhas apenas se misturam ao carmim da sala.

As luzes enlouquecidas piscam sem pausa, o som é um ruído interminável.

E as crianças...

Não sei por que nada disso me afeta.

Os sons ecoam por todos os cantos da sala.

Não faço ideia do que exatamente está acontecendo nos outros cômodos.

Também não quero descobrir agora.

Já vi o suficiente para entender por que ninguém sai daqui igual.

Só para terem uma ideia, ouvir ossos se partindo, rachando enquanto uns mutilam os outros, não é nada inacreditável de se ver por aqui.

Essa é a Sala Vermelha.

As crianças que são enviadas para cá nunca voltam.

Ou, pelo menos, não como entraram.

Tudo aqui pode ser usado como arma.

E quando digo tudo, não estou falando apenas dos objetos.

Estou falando dos próprios corpos.

Espera.

Eu não deveria estar aqui.

Não. Antes que interprete isso de outro jeito, não estou falando apenas sobre o local.

Estou falando daqui.

Deste lugar.

Os gritos de fúria reverberam tanto que, quando são atingidos, eles não choram.

Apenas sentem raiva.

Ódio.

Não importa se uma mordida arrancou um braço ou se alguém pegou um extintor e o arremessou contra a cabeça de outra pessoa.

É.

Olha lá.

Um garoto sem dois dentes grita enquanto usa uma cadeira quebrada como escudo.

Já mais adiante, alguém golpeia outro com o próprio braço engessado.

Para te situar sobre essa nossa situação:

Os Vermelhos vão para a Sala Vermelha.

Os Amarelos para a Amarela.

Os Verdes para a Verde.

É assim que funciona.

Acho que não lhe ajudei muito.

Bom.

Isso é até onde consegui entender esse lugar.

Não faço ideia de por que aquele caminho nos levou até aqui.

Meu corpo reflete a luz avermelhada.

O calor é tão intenso que, depois de apenas um minuto, já não consigo raciocinar direito.

Estou perdendo a paciência.

Enxugo o suor com a manga da roupa, tiro uma xuxa do bolso da calça e prendo meus cachos.

Olho para os quatro vértices do quadrado.

Há caos por toda parte, mas no canto esquerdo vejo um recorte na parede que lembra uma porta.

Aquilo era uma porta?

Pisco algumas vezes.

Não.

Tinha que ser.

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⏰ Last updated: Jun 24 ⏰

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