Prólogo

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O ar abafado do final de agosto me atingiu no exato segundo em que pisei fora do terminal do aeroporto de Boston. O sol do fim de tarde ainda queimava alto no céu, trazendo aquele calor típico do fim de verão da Costa Leste.

Enquanto esperava o carro para me levar até o campus da Briar University, puxei o celular do bolso. O visor acendeu com duas notificações imediatas que me fizeram sorrir na hora.

A primeira era um áudio de três minutos da Cecília, enviado direto do Rio de Janeiro. Nem precisei dar o play para saber que minha melhor amiga provavelmente estava me mandando aproveitar meu país novo e me lembrando pela centésima vez que Briar não era feita apenas de bibliotecas e livros de anatomia.

A segunda era uma mensagem do meu pai:

"Me avisa assim que chegar ao alojamento, minha linda. Sei que o trânsito até o campus deve estar agitado. Sua mãe estaria tão orgulhosa de ver você aí hoje. Te amo."

Virei meu celular e passei o polegar pela pequena foto antiga guardada atrás da capinha dele. Nela, minha mãe e meu pai sorriam, jovens e despreocupados, abraçados em frente aos prédios de tijolos vermelhos de Briar.

Eu não atravessei um continente para fugir do luto ou tentar preencher um vazio. A perda da minha mãe me ensinou cedo demais o valor do tempo e a importância de fazer escolhas com convicção. Medicina era a minha vocação; Briar era a minha ponte com as memórias da minha mãe e o cenário onde eu construiria a minha própria história.

Eu sempre fui excelente com planos. Gosto de controle, de organização e de saber exatamente onde cada peça do meu futuro se encaixa. Planejei minha rotina de estudos, minhas metas acadêmicas e cada detalhe de como pretendia explorar a cidade nos próximos meses.

O som de uma buzina curta me tirou dos meus pensamentos. Um Sedan preto encostou junto ao meio-fio, e o motorista abaixou o vidro para confirmar meu nome. Assenti com um sorriso, guardando meu celular e ajeitando a mochila nas costas antes de me aproximar do porta-malas.

Acomodei minhas malas, entrei no banco traseiro e me encostei no estofado enquanto o carro se juntava ao fluxo de veículos que saía do aeroporto. Ver a silhueta de Boston se desdobrar pela janela, banhada pela luz alaranjada daquele fim de tarde quente, trouxe um frio bom na barriga. Não o frio do medo, mas o da expectativa pura.

Eu tinha um mapa mental de Briar, o cronograma dos seminários de Medicina gravado na memória e uma lista de lugares que minha mãe costumava frequentar anotada no bloco de notas. Na minha cabeça, cada passo do meu ano já estava desenhado.

Respirei fundo, vendo a placa de boas-vindas da Briar University se aproximar, e sorri.

Estava na hora de começar.

Destiny - John LoganStories to obsess over. Discover now