"Na tarde de 16 de agosto, no hospital Sírio-Libanês, a família mais rica do estado de São Paulo estava ganhando uma herdeira, Mércia Fasano. Eram três horas da tarde quando Mércia nasce, sua mãe, Tarcia, havia lhe dado esse nome por ser a herdeira, e queria uma filha com um nome bonito.
Com o passar dos anos, Mércia se desenvolveu rapidamente, conseguia formar palavras grandes com 1 ano e meio, além de soletrar perfeitamente. Ela odiava seu nome, dizia que era nome de mulher velha e que era feio. Em 1962, com só 14 anos é mandada pra um colégio interno"... Bom, eu sou Mércia, para falar a verdade, não compensa ter um diário, eles tem poucas páginas e são minúsculos. Por isso prefiro escrever no meu caderno normal da escola, e falta apenas alguns meses para eu completar 18 anos e sair desse lugar. Por um momento eu pensei que iria finalmente achar alguém para poder me fazer companhia, mas ela foi embora... Vou contar tudo do começo, no caso, de como eu fui parar nesse lugar, o porquê, o que ocorreu ao longo de todos os anos até agora, esse exato momento.
Tudo começou no sétimo ano do fundamental, 1960... Eu tinha feito uma amiga, Elizabeth Caetano, ela era um doce de pessoa, inocente como qualquer outra criança deveria ser. Ela andava sempre com um esquilo de pelúcia, por ter muito medo de ir sozinha ao banheiro.
Em um dia de halloween, eu não fui fantasiada, mas havia a dito que queria muito ir de The Fly, pois eu havia assistido e tinha gostado bastante. Quando chego lá, Elizabeth estava com a fantasia que eu tanto desejava ir, e ficava se gabando por sua mãe ter costurado.
-Minha mãe é incrível, eu sei, obrigada. Não é atoa que eu sou filha dela -Ela ria como se a ideia fosse super original. Eu tinha ficado com tanta raiva que decido me vingar, havia esperado Elizabeth entrar no banheiro com seu coelho, ela sempre o deixava na pia para usar a privada.
Entro no banheiro e pego o coelho, arranco sua cabeça e deixo o algodão a mostra. Escrevo um bilhete dizendo: "Quando disserem no futuro que você é uma vadia, acredite!"
Eu já tinha um vocabulário bem avançado para alguém de 8 anos, mas decido começar a usar em momentos necessários. Eu dobro o bilhete e espero Elizabeth sair do banheiro, não dou nem tempo para a mesma respirar e puxo ela para outra cabine, eu coloco a cabeça dela dentro do vazo e começo a afogar a garota na água suja. Quando sinto ela parar de se debater e desmaia, eu fecho a tampa do vaso, dou descarga e deixo o bilhete em cima da tampa, o coelho eu jogo no chão mesmo.
Assim que dá o horário de ir embora, a professora da turma veio me procurar.
-Mércia, você viu a Elizabeth?
-Vi não dona Lídia, mas eu ouvi o grupo da Elisa dizer que iriam afogar ela na privada quando fosse pro banheiro. Depois disso eu não vi mais a Beth...
-Por Deus, menina! Por que não disse antes! -Professora Lídia sai correndo em direção do banheiro, enquanto eu apenas entro no ônibus escolar pra ir pra casa.
Q.D.T~ duas semanas depois
Após uns dias, o diretor fez uma palestra na escola e disse que Elizabeth acabou morrendo por água no pulmão, ele conseguiu de alguma forma descobrir que eu que tinha a afogado e tinha ligado para os meus pais. Não teve nem 20 minuto de conversa e eu senti um tapa forte no rosto vindo da minha mãe.
-VOCÊ TÁ' MALUCA? ONDE ESTAVA COM A CABEÇA?! -Meu pai tentava segurara minha mãe, mas parecia querer me bater também- VOCÊ SEMPRE FOI ESTRANHA, QUERIA FAZER TUDO DIFERENTE! EU SEMPRE IMAGINEI QUE MINHA ÚNIA FILHA SERA UMA PRINCESA, UM ANJO, MAS VOCÊ É A DESGRAÇA PURA, SÓ NOS TRAZ AZAR, VOCÊ É O DEMÔNIO PURO! -Ela começa a chorar. meu pai a agarra e puxa ela para trás.
-Senhora Fasano... -O diretor pigarra, seu semblante envelhecido e caído me dava calafrios, uma sensação de nojo e de estar sendo observada toda hora.- Sua filha afogou, xingou e matou uma colega de classe com apenas 12 anos, bater não irá resolver. O que podemos fazer é colocá-la num reformatório até o ano que vem e depois transferir para um internato religioso caso for necessário.
-PERFEITO! -minha mãe dá um grito, como quem quisesse que aquilo acontecesse imediatamente, independente das consequências- Precisa assinar alguma coisa?
-Sim, a assinatura de autorização para o reformatório. Eu ainda tenho alguns documentos em branco que iam servir para uma outra família, sua filha não é a única no a ser agressiva igual a um animal. Infelizmente a juventude está se perdendo aos poucos. -O diretor pega os documentos na gaveta e uma caneta em cima da mesa. Ele entrega para meus pais assinarem.
Assinatura 1: Tarcia de Freitas Moriarty
Assinatura 2: Bernades Moriarty II
-Certo, vocês pode deixar ela aqui mesmo, irei chamar um ônibus do reformatório. Só tragam as roupas dela, porquê eles não dão roupa lá.
-Certo, sem problemas, iremos trazer só o necessário para ela. Vai ser uma benção ficar um ano inteiro sem ela em casa, com certeza essas situações vão diminuir bastante. -Meu pai diz sem hesitar-
Q.D.T~ alguns minutos depois
Meus pais voltam com as minhas roupas numa mochila de mão, eles me entregam e sem nem dar tchau, vão embora.
-Lembre que isso foi a consequência do seu ato, Srta. Moriarty. As diretrizes da escola...
-Eu tô' pouco me lascando para as diretrizes da escola, seu merda! Sabe como você soube que eu afoguei a Elizabeth? Porque você coloca câmera no banheiro feminino!-Sem me tocar, a vice-diretora estava na porta, não tinha ouvido ela entrar. Eu fico em completo estado de choque.- Srta. Dulce... Desculpa a gritaria, só estou com um pouco de raiva...
-Eu... hm, tudo bem, Moriarty. Eu e o diretor iremos conversar depois sobre o que acabou de falar, tá? -Ela sorri e se vir pra sair, mas para e se vira levemente- Ah, um breve aviso; o ônibus acabou de chegar, é melhor ir rápido para ele não sair sem você. -A porta fecha-
Eu pego na maçaneta da porta pra abrir ela, antes disso, me viro e cuspo no chão, perto da mesa do diretor. Saio sem falar uma palavra e caminho pelos corredores vazios -eles pareciam maior do que nunca, tenho a sensação de que estavam se estendendo a cada passo-. Quando vou finalmente pra fora, o ônibus estava lá, cheio de crianças -principalmente meninas-.
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Beijos às 6 seis da tarde//SP
General FictionNuma tarde de 16 de agosto, de 1948, as 3 horas da tarde, nasce a herdeira da família Fasano, Mércia. Uma criança que cresce extremamente doce e educada, não sabia que sua própria família a manipulava para ser extremamente religiosa como eles. No...
