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"Porta Errada, Hora Errada"

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Harry tinha certeza de duas coisas na vida:

Primeiro: ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas como professor assistente era mais difícil do que derrotar um bruxo das trevas.

Segundo: esconder qualquer coisa de Minerva McGonagall era impossível.

E ainda assim, ele estava ali.

Dentro de um armário de vassouras.

Com Severus Snape.

- Isso é uma péssima ideia - Snape murmurou, voz baixa, controlada demais para alguém que claramente não achava aquilo só "uma péssima ideia".

- Você diz isso em todas as situações da minha vida - Harry respondeu.

- Porque todas são péssimas.

Harry abriu a boca para retrucar, mas Snape estava perto demais, o cheiro de ervas e loção pós barba eram demais para a sanidade do pobre Harry, que sem esperar mais nada puxou o temido professor de vestes negras para um beijo apressado, apaixonado, as mãos deslizam pelas costas ate a bunda do mestre de poções, Severus também não fica para trás e empurra Harry contra a prateleira enquanto insinua uma perna entre as de Harry esfregando a coxa contra o volume que crescia. O espaço pequeno não ajudava. Nem o fato de que eles tinham entrado ali às pressas quando ouviram passos no corredor.

Passos que agora pararam.

Do outro lado da porta.

- Eu sei que alguém está aí - disse uma voz firme.

Harry congelou.

Snape fechou os olhos por um segundo.

- McGonagall - ele disse, como quem anuncia uma sentença de prisão.

- Diretora McGonagall - Harry corrigiu automaticamente.

- Isso não melhora a situação.

A maçaneta girou.

Não abriu.

Silêncio.

Então:

- Professor Snape. Professor Potter. Eu sugiro que vocês saiam do armário de vassouras antes que eu tenha que começar a fazer perguntas desnecessárias para as quais eu já sei as respostas.

Harry engoliu em seco, seus lábios estavam inchados dos beijos trocados, seus cabelos impossivelmente bagunçados e roupas amarrotadas sem contar a enorme protuberância em suas calças.

Snape ajeitou a postura, tentando se recompor e rezando para todos os deuses que seu estado estivesse melhor que do Potter que aliás ainda segurava seu traseiro como se a vida dependesse disso, Snape pensou que talvez pudesse fingir como se aquilo fosse uma reunião de conselho e não um flagrante iminente.

- Não estamos aqui - Snape disse calmamente.

- Excelente - respondeu McGonagall. - Então o armário está se comunicando comigo.

Harry fechou os olhos.

Do lado de fora, uma pausa.

- Vou contar até três - McGonagall continuou.

Snape inclinou a cabeça levemente para Harry.

- Você tem talento para escolher situações em que a morte seria mais simples.

- Eu não escolhi isso.

- Você nunca escolhe nada, e solte minha bunda.

- Um...

Harry respirou fundo e afastou as mãos como se estivessem pegando fogo.

- Dois...

Snape suspirou, como se estivesse profundamente ofendido com a existência de portas.

- Três.

A porta abriu.

McGonagall estava ali, expressão perfeitamente neutra - o que era, em si, aterrorizante.

Atrás dela, alguns alunos curiosos começavam a aparecer no corredor, imediatamente sendo dispensados com um olhar.

Silêncio.

Harry e Snape saíram ao mesmo tempo,ambos com roupas amarratodas e lábios inchados dos beijos trocados, de repente o espaço subitamente pareceu grande demais.

- Eu posso explicar - Harry começou.

- Não - disse McGonagall.

- Mas-

- Não, Sr. Potter.

Snape já estava ajustando a capa com dignidade inabalavel, expressão impenetrável.

- Isto não é o que parece - ele disse.

McGonagall levantou uma sobrancelha.

- Professor Snape, em meus cinquenta anos nesta escola, isso nunca foi o que parecia.

Silêncio.

Harry passou a mão no cabelo, envergonhado e exausto.

- A gente só precisava... conversar em particular.

McGonagall olhou de Snape para Harry.

Longamente.

- Em um armário de vassouras.

- Era o único lugar sem alunos - Harry disse.

- Isso não melhora nada - Snape murmurou.

McGonagall suspirou.

Um suspiro longo, sofrido, de alguém que já desistiu da humanidade mas ainda precisa supervisioná-la.

- Vocês dois - ela disse por fim - têm reuniões formais. Escritórios. Portas que não são de armário. Corredores vazios. Até mesmo torres inteiras.

Ela fez uma pausa.

- E mesmo assim escolheram isto.

Harry e Snape não responderam.

Porque não havia resposta boa.

McGonagall virou-se.

Antes de sair, disse apenas:

- Dez pontos da Sonserina. E vinte da Grifinória. Pela estupidez criativa.

Harry piscou.

- Isso não faz sentido.

- Faz perfeitamente - Snape respondeu. - É McGonagall.

E então ela foi embora.

O corredor ficou em silêncio.

Harry olhou para Snape.

Snape olhou para o armário.

- Nós nunca mais usamos isso - ele disse.

- Concordo.

Uma pausa.

- ...Mas você estava rindo - Harry observou.

- Não estava.

- Estava sim.

Snape passou por ele.

- Potter?

- Sim?

- Da próxima vez, escolha um armário maior.

Harry ficou parado um segundo.

E então seguiu ele, tentando não sorrir.

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