Prólogo

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POV: MARINETTE

Marinette estava atrasada.

Aquilo, por si só, não era exatamente uma novidade. O problema era que, além de atrasada, ela também estava perdida, o que tornava a situação significativamente pior.

Corria pelos corredores do palácio com uma luva em uma das mãos, um pedaço de pão na outra e uma fita azul presa em algum lugar de seu vestido que insistia em acompanhá-la como uma cauda particularmente irritante.

A aula de música começara havia pelo menos dez minutos e, se conhecia seu professor tão bem quanto acreditava conhecer, ele provavelmente já estava preparando um discurso sobre disciplina, responsabilidade e o inevitável declínio da juventude moderna.

— Alteza!

A voz de uma criada ecoou atrás dela.

— Eu sei! — respondeu Marinette sem diminuir o ritmo.

— A senhorita está atrasada!

— Eu sei!

— Então por que está correndo para o lado errado?

Marinette freou tão abruptamente que quase escorregou. Virou-se para observar o corredor à sua frente, depois a criada e, por fim, o corredor novamente, como se a resposta pudesse surgir diante de seus olhos caso o encarasse por tempo suficiente.

— Ah.

A criada cruzou os braços.

— Ah?

— Este não é o caminho para a sala de música?

— Não.

— Certo.

A mulher suspirou.

— Como a senhorita consegue se perder dentro da própria casa?

— Tecnicamente, esta casa tem mais de quatrocentos quartos.

— E a senhorita mora aqui desde que nasceu.

— Detalhes.

Antes que a criada pudesse responder, Marinette já havia mudado de direção e retomado sua corrida. Atrás dela, ouviu um protesto indignado e agradeceu pela ajuda sem sequer se dar ao trabalho de olhar para trás.

Virou a esquina em velocidade demais, escorregou ao pisar sobre o piso encerado e conseguiu recuperar o equilíbrio por puro milagre. O milagre, no entanto, durou apenas alguns segundos. Seu pé enroscou em uma dobra do tapete, ela tropeçou novamente e acabou colidindo em cheio com alguém que surgia do corredor oposto.

O impacto arrancou um grito de surpresa de sua garganta e espalhou uma chuva de documentos pelo chão.

— Ai!

— Marinette.

Ela congelou.

Conhecia aquela voz.

Devagar, ergueu os olhos e encontrou o rei observando-a por cima de uma pilha de papéis agora espalhada pelo corredor. A expressão em seu rosto era cuidadosamente séria, mas havia um brilho divertido em seus olhos que denunciava o quanto estava se esforçando para não rir.

Marinette fechou os olhos por um instante.

— Em minha defesa, foi uma emboscada.

— Estou curioso para ouvir essa explicação.

— Dos corredores.

Uma sobrancelha ergueu-se.

— Dos corredores?

Antes Que Amanhã ChegasseStories to obsess over. Discover now