A chuva começou pouco depois das seis da tarde.
Primeiro algumas gotas.
Depois uma garoa.
E então uma tempestade.
Os trovões ecoavam pelo céu enquanto a água escorria pelas janelas da Clínica Veterinária Luthor.
Lena observava tudo através do vidro.
A cidade parecia completamente diferente agora.
Escura.
Silenciosa.
Molhada.
Ela suspirou.
— Ótimo...Mais uma noite longa.
Virou-se para o interior da clínica.
Aquele horário costumava ser movimentado, mas por causa do feriado e da chuva praticamente todos os atendimentos haviam sido cancelados.
Restavam apenas alguns animais internados.
Um gato que havia passado por cirurgia.
Um cachorro em recuperação.
E um coelho que precisava de observação.
Nada grave.
Nada urgente.
Mesmo assim, Lena decidiu ficar.
Na verdade...
Ela queria ficar.
Não havia motivo para voltar para casa.
Não tinha ninguém esperando por ela.
Nenhum jantar romântico.
Nenhum encontro.
Nenhuma mensagem.
Então por que não passar a noite trabalhando?
Era mais fácil.
Lena caminhou até o balcão principal.
Foi quando seus olhos encontraram algo que a fez parar.
A rosa.
A mesma rosa vermelha.
A rosa que aquela mulher havia devolvido.
Lena a encarou por alguns segundos.
Depois pegou alguns documentos.
Tentou ignorá-la.
Tentou trabalhar.
Tentou focar.
Mas cinco minutos depois...
Olhou para a rosa novamente.
— Ridículo.
Murmurou.
Voltou aos papéis.
Dois minutos depois.
Olhou de novo.
— Isso é uma flor.
Silêncio.
— Uma simples flor.
Mais silêncio.
— Você perdeu completamente a noção.
Ela fechou a pasta com força.
Irritada consigo mesma.
Porque sabia exatamente o motivo de estar distraída.
Não era a rosa.
Era a mulher.
Kara.
Lena apoiou os cotovelos no balcão.
— Eu nem conheço ela.
Suspirou.
— Nem sei o sobrenome.
A chuva aumentou lá fora.
Os trovões iluminaram o céu.
Lena observou a rosa novamente.
E sem querer...
Lembrou daqueles olhos azuis.
Daquele sorriso.
Daquela voz.
— Você deixou isso cair.
Lena fechou os olhos.
A lembrança veio tão clara que parecia ter acontecido há poucos minutos.
Ela abriu os olhos imediatamente.
— Não.
Balançou a cabeça.
— Não mesmo.
Aquilo era absurdo.
Completamente absurdo.
Ela tinha conversado com aquela mulher por menos de cinco minutos.
Cinco.
Minutos.
Era impossível alguém ocupar seus pensamentos daquela forma.
Impossível.
Não fazia sentido.
Ela levantou-se rapidamente.
— Preciso trabalhar.
Foi verificar os animais.
O cachorro dormia tranquilamente.
O gato estava bem.
O coelho também.
Tudo estava perfeito.
Mesmo assim...
Os pensamentos voltavam.
Toda hora.
Sem pedir permissão.
Sem aviso.
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A Rosa Do Destino
FanfictionHá cinco anos, Kara Danvers perdeu a mulher que acreditava ser o amor de sua vida. Desde então, ergueu muros ao redor do coração, afastando qualquer possibilidade de amar novamente. Para ela, o amor havia partido junto com sua noiva, deixando apenas...
