O calor do chá nas mãos é o que conforta Ravel naquela manhã fria. Hibisco com gengibre — seu favorito, pelo sabor e pelas propriedades. É satisfatório encontrar aquele gosto tão longe do lar.
— O que está achando do chá? — ele ouve a voz de Sedna perguntar.
— Não podia estar melhor — Ravel lhe dá um sorriso terno enquanto termina a bebida e o café da manhã. — Obrigado por ter me recebido.
Ela acena com a cabeça e continua a encarar Ravel, silenciosamente, mas com as palavras pairando em sua cabeça. Ela é a atual líder da tribo da água do sul e, apesar de não lhe ter dito, provavelmente já sabe porque ele está ali.
— Eu poderia me colocar em muitos problemas abrigando você aqui — ela diz, desviando do verdadeiro assunto.
— Você não vai ter nenhum problema, isso eu lhe garanto. Ninguém sabe que vim...
— E não me disse até agora porque veio — ela o interrompe.
Ravel pousa a xícara. Sedna sabe — ele tem certeza disso — mas vai fazê-lo falar de qualquer maneira.
— Há boatos que correm sobre um garoto prodígio por aqui — ele estreita os olhos. Poderiam ser só boatos, uma viagem em vão, mas seu instinto raramente erra. — Dizem que domina as aplicações ofensivas da dobra de água melhor do que qualquer outro em gerações. Que mesmo sem a lua cheia ele pode...
— E o que quer com ele? — ela pergunta rispidamente. — Se esses boatos supostamente fossem verdadeiros.
— E eles são? — Ravel deixa a pergunta pairar no ar sem respondê-la. Estão como dois gatos assustados que não querem tocar no assunto.
— Diga o que quer com ele, Ravel.
Ele hesita. Sempre carregou o signo da rebeldia, questionou as tradições do ar inúmeras vezes — e ainda assim, dizer aquele nome em voz alta em território alheio é outra coisa.
— Você sabe o que quero. O que todos da Dente-de-Leão querem...
— Você deveria ser mais cuidadoso ao dizer esse nome por aí.
Ravel suspira. Ela está certa, e isso o irrita mais do que deveria. Está cansado de jogar como um peão quando pode ir direto ao ponto — mas direto ao ponto também significa admitir que não tem controle sobre o que vem a seguir.
— Vou levá-lo até Kori — diz por fim, e o peso da frase fica suspenso entre eles. — A decisão final será dele. Não é o que eu preferia, mas irei respeitá-la.
— Não esperaria outra coisa.
*
Ravel não se lembra de ter visto outro dobrador de água mais implacável quanto Kori. Seus movimentos eram rápidos e ágeis, sua dobra impecável e seu ataque tem uma característica própria. Os dobradores de água costumam utilizar muito do que está ao redor: os que habitam os pântanos tornam-se exímios dobradores de plantas, os que moram nos pólos usam a água e o gelo. Mas Kori sabe como aquecer a água no momento certo: o que atingiria como um jato d'água acaba por se tornar um gêiser ardente contra o inimigo. Não são esses os boatos que circulam ao redor do mundo, mas ainda assim é uma habilidade impressionante.
A pobre garota que combatia contra ele agora jaz no chão com inúmeras queimaduras. Um grupo se apressa para ir ao seu encontro curá-la enquanto se retira, vitorioso, do treino.
Sedna o deixa aguardando enquanto Kori finaliza o treino. Ravel o espera à beira do campo de treino, os braços cruzados, observando-o se aproximar com aquela postura de quem já sabe o que os outros vão dizer antes mesmo de dizerem.
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A Morte do Avatar
Fanfiction50 anos atrás, Zaheer conseguiu o que ninguém acreditava ser possível: matar a Avatar Korra. O que se seguiu não foi a libertação que a Lótus Vermelha prometia, mas o caos - governos desmoronando, fronteiras se dissolvendo, um mundo que não sabia co...
