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A vida não é nada engraçada ou divertida para quem cresce dentro da máfia, e comigo não seria diferente.

Lembro que eu tinha 10 anos quando sai a primeira vez para um parque, mesmo sendo uma missão, ainda assim, meus olhos brilharam como se fosse algo único pela primeira vez, meus pais já não estavam comigo e Khun Ratchata foi quem me ensinou o que é família.

Lealdade. Respeito. Confiança.

Eram esses os principais conceitos.

Amor? Bem. Digamos que até hoje eu não sei bem o significado dessa palavra.

O parque era colorido, muitas crianças, a maioria sorridente, andando de mãos dadas com os pais ou correndo para todo lugar como se não tivessem nenhuma preocupação na vida.

Meu foco era somente um: Maxky.

Aniversário de oito anos e o desejo dele foi ir a um parque com outras crianças, não queria exclusividade, não queria somente os subordinados e filhos de amigos de Khun Ratchata que não tinha intimidade, não queria somente ele e o irmão mais velho em frente a um bolo.

Ele queria um dia de criança normal.

E a minha missão? Garantir que nada de ruim acontecesse com ele.

Sem arranhões. Sem choro. Sem aproximação.

Um dia eu ainda seria incubido de ser próximo a ele, mas não agora, não enquanto ainda éramos crianças.

Um pequeno parou na minha frente enquanto eu observava Maxky se divertindo no carrosel.

_ Você quer um pouco?

Ele era muito menor que eu, idade aproximada? Quatro a cinco anos.

Não respondi e nem desviei a atenção. 

Ainda assim, ele continou parado na minha frente.

_ Você está sozinho? Está triste? - ele olhou ao meu redor - onde está sua mamãe e seu papai?

Mantive minha postura firme

_ Você quer ser meu amigo?

Desviei o olhar por um instante e encontrei duas bolas de jade brilhantes me encarando com um sorvete derretido pelos dedos minusculos, fiz um sinal discreto para o meu companheiro de missão que entendeu e foi para mais próximo do carrossel, dei um passo em direção ao garoto.

_ Não deveria falar com estranho criança. Vá até seus pais.

Ele fez bico

_ Você não é estranho, é criança igual eu.

Criança? Eu já tinha sido criança alguma vez na minha vida? Mantive o olhar na criança que tinha somente um palito na mão e uma poça rosa em frente do sorvete derretido

_ Sou mais velho que você. Não fale com pessoas mais velhas. - tirei um lenço do bolso - limpe sua mão e volte para seus pais.

Ele me olhou com um bico ainda maior, olhou para o sorvete derretido e de volta pra mim.

_ Por que não quis ser meu amigo?

Coloquei o lenço em cima da mão dele

_ Faça o que te falei e vá garoto.

Ele deixou o palito cair no chão e passou o lenço entre os dedos pequenos.

_ Você fala igual meu pai.

Ele resmungava enquanto limpava a mão, eu mantinha a atenção em Maxky que tinha saído do carrossel e corria em direção a outro brinquedo

_ Preciso ir agora garoto. - passei a mão nos cabelos dele - não se esqueça, não fale com estranhos.

BETWEEN SILENCE & CHAOS ( BeverTonliew )Stories to obsess over. Discover now