A Cidade

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O vento frio da manhã trazia o aroma inconfundível de café torrado e terra molhada, anunciando que mais um inverno havia chegado com força a Vila do Pinhal. Escondida entre os vales altos da serra, a pequena cidade parecia ter parado no tempo, mantendo suas ruelas de pedra intactas e suas construções de madeira escura com floreiras de hortênsias sempre carregadas. Às sete da manhã, a neblina - ou a "ruça", como os antigos moradores gostavam de chamar - era tão espessa que quase apagava os contornos dos pinheiros gigantescos que cercavam o vilarejo. Quem olhava de fora tinha a impressão de que Vila do Pinhal só existia dentro de um globo de neve de vidro e romance. O clima europeizado e o isolamento geográfico moldavam o ritmo da vida local: ali, ninguém tinha pressa, e qualquer problema se resolvia com uma xícara de café quente e um bom pedaço de bolo. A cidade acordava devagar. Na antiga e charmosa estação de trem desativada, a chaminé da Cafeteria Estação do Pinhal já começava a soltar fumaça, indicando que a lareira central estava acesa e o espresso de altitude já estava sendo extraído. Algumas ruas acima, o sino da porta da Doceria Vovó Augusta badalava, enquanto os primeiros tabuleiros de torta de maçã aquecida iam para a vitrine, espalhando um cheiro doce de canela pelo ar úmido.Para os moradores, aquela era a calmaria antes da tempestade. Era sexta-feira, o que significava que, em poucas horas, os primeiros carros vindos da capital cruzariam as curvas sinuosas da serra. Casais em busca de lareiras, mantas e privacidade lotariam as pousadas até não restar uma única vaga, transformando o pacato refúgio de montanha no palco perfeito para novos encontros, sussurros ao pé do ouvido e corações aquecidos pelo frio.

Vila do Pinhal: Café e a Luxúria do PecadoHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora