Mais uma vez estava naquela viela estreita e escura. Em meio a madrugada chuvosa, ouvia apenas o som de seu sapato a tocar o chão apressado. As luzes dos velhos postes começaram a piscar... Era sempre assim... Nesse momento, tudo ficava ainda mais tenso.
Olhei para um lado e outro e não conseguia ver nada. O cheiro de sujeira era intenso. O meu coração estava descompassado. Um ruído atrás de mim me fez estremecer e correr, desesperada por encontrar ajuda.
Como sair dali? Sequer sabia como cheguei até aquele lugar. Nunca sabia. Apenas estava...
Mais um barulho.
Dessa vez, ouvi um gato miando alto e derrubando algumas latas de lixo. Levei a mão ao peito, mas não parei de caminhar. As pernas doíam pelo esforço de correr com os saltos. Queria parar e tirá-los, mas o medo era maior e não me permitia tal objetivo. Sentia como se estivesse sendo seguida e tentei correr mais alguns passos até avistar uma luz. Parecia ser o final daquela viela estreita... Avistei alguns carros passando por ali e ouviu algumas vozes ao longe. Apressei-me ainda mais, olhando para trás, para ver se alguém me seguia.
Vi uma sombra... Corri ainda mais, como se a minha vida dependesse disso. Talvez dependesse... ou não...
Quando finalmente consegui sair daquele lugar, deparei-me com um grupo de pessoas bebendo na calçada. Provavelmente teriam acabado de sair da boate próxima. Discretamente caminhei no sentido contrário deles, indo até um ponto de ônibus.
Olhei para trás e vi uma pessoa parada bem na esquina daquele beco sujo. Do ângulo que estava apenas podia ver o casaco longo, escuro e os sapatos. Era um homem, com certeza. E alto... Muito alto... Ele mexia com algo nas mãos, poderia ser um celular pela luminosidade.
Um ônibus surgiu e parou no ponto onde eu estava tentando respirar. Abriu a porta. Entrei e agradeci ao motorista. Naquele horário havia apenas poucas pessoas ali, que estavam retornando para os seus lares. Me tranquilizei, afinal, eu também estava indo para casa...
Pela viagem não consegui prestar atenção no trajeto do veículo, estando distraída com o meu celular. Este, que estava desorientado. Abrindo e fechando paginas que não abri. Suspirando, olhei pela janela. Notei que o ônibus estava indo a uma velocidade acima do normal e que entraria em um túnel. Mas... o percurso para a minha casa, não era aquele e não havia nenhum túnel pelo caminho.
Eu tinha duas opções: dar sinal para descer e o motorista me ignorar pela velocidade em que estava o veículo, ou esperar que ele parasse em algum ponto mais acessível pra mim.
Decidi esperar o ônibus parar. E foi o que aconteceu minutos depois. Ele parou e abriu a porta, aguardando que algumas pessoas descessem, inclusive euzinha. Queria perguntar a localização ao motorista, mas ao olhar para frente, não o vi. Apressei-me e saí.
Quando já estava na calçada, a porta se fechou rapidamente e o veiculo partiu, desaparecendo dentro do túnel sem iluminação alguma.
Perdida, olhei para o celular e este estava desligado. Sem bateria. Olhei para ambos os lados e apenas avistei um parque. Talvez conseguisse alguma informação ali. Talvez um segurança pudesse me ajudar. Caminhei alguns metros pela calçada e adentrei ao parque pelo portão lateral, caminhando rumo ao centro deste. As ruas eram iluminadas por lampadas coloridas e rodeadas por árvores e flores de todas cores e formas. Me senti mais tranquila, apesar de estar sozinha num lugar estranho. As poucas placas informavam a direção.
Então aconteceu. As luzes apagaram.
Alguém caminhava atrás de mim. Estava apressado e vindo em minha direção. O desespero tomou conta de todo o meu ser. Tirei o sapato dos pés e resolvi correr, mesmo não conseguindo ver nada.
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SONHOS EM PESADELOS
FanfictionUma garota com síndrome do sono, se forma médica e entra num grupo de cientistas em busca de uma cura para a doença. Em um oportunidade única, deparam com um caso de seria-killer e o FBI os procura. Mas ao se ver diante dos agentes, reconhece-os de...
