A rua Elmwood tinha o tipo de silêncio caro que só aparece em bairros onde os gramados são cortados na régua e as lixeiras são colocadas para fora sempre na mesma hora, toda semana, sem falta. Era o tipo de silêncio que as pessoas compram junto com a hipoteca — como se a paz viesse inclusa nas parcelas. As casas eram grandes o suficiente para ter dois andares mas não grandes o suficiente para parecer ostentação, com varandas de madeira pintadas de branco e janelas que pegavam sol da tarde. O tipo de lugar onde todo mundo cumprimentava todo mundo, onde as crianças andavam de bicicleta na calçada e onde os adultos achavam que conheciam os vizinhos.
A casa do número 14 era provavelmente a mais bonita da rua.
Não porque fosse a maior. Era porque tinha aquele tipo de cuidado específico que só aparece quando alguém gosta genuinamente de cada detalhe — as plantas da varanda eram regadas na medida certa, as cortinas brancas da janela da frente eram sempre impecáveis, e havia algo na proporção da porta de entrada, pintada de um verde escuro quase preto, que fazia as pessoas desacelerarem quando passavam. Era uma casa que parecia viva de um jeito quieto.
A casa do número 14 pertencia a Alexander e Mia Cross.
Os vizinhos os adoravam.
A Sra. Patterson, do número 18, tinha o hábito de mencionar o casal em pelo menos uma conversa por semana. "Aquele rapaz de Cross é tão atencioso", ela dizia, enquanto regava as petúnias. "Trouxe minha encomenda até a porta quando eu estava com o tornozelo ruim. Não falou quase nada, é verdade, mas a expressão dele era... bem, é o tipo de moço sério, sabe? O tipo que você pode confiar." O que ela não mencionava — provavelmente porque não sabia como colocar em palavras — era que algo na expressão de Alexander Cross sempre a deixava levemente desconfortável, como se ela estivesse na presença de algo que tinha a forma de uma pessoa mas não completamente o comportamento de uma.
Ela atribuía isso ao fato de que ele era advogado.
O casal Williams, do número 10, adorava Mia. "Aquela menina ilumina qualquer ambiente", dizia o Sr. Williams toda vez que ela aparecia na calçada com o sorriso fácil e o cabelo loiro curto bagunçado pelo vento. "Você viu como ela cumprimentou minha mãe na última vez? Como se fossem velhas amigas." O que o Sr. Williams não sabia era que Mia tinha cumprimentado a mãe dele enquanto estava com a mão no bolso traseiro das calças de Alexander, e que Alexander tinha ficado absolutamente imóvel durante toda a conversa com a expressão neutra de sempre enquanto a mão dela se movia de forma que não tinha absolutamente nada de social naquilo.
Era terça-feira de manhã quando a primeira coisa extraordinariamente ordinária aconteceu.
Dentro da cozinha do número 14, a luz do sol entrava pela janela sobre a pia e deixava tudo com aquela cor de mel que torna qualquer ambiente doméstico vagamente cinematográfico. O chão era de madeira escura, as bancadas eram de mármore cinza, e tudo estava no lugar certo — porque Alexander Cross tinha um relacionamento com a organização que ia muito além do que qualquer psicólogo chamaria de saudável, mas que produzia uma cozinha que parecia de catálogo.
Alexander estava fazendo ovos mexidos.
Tinha aquela forma de se mover na cozinha que era quase perturbadora para quem prestasse atenção — muito precisa, muito econômica, como se cada gesto tivesse sido calculado previamente e executado exatamente conforme planejado. Calça de pijama cinza. Sem camisa. Cabelo preto na altura do pescoço levemente bagunçado de sono, que era a única concessão que ele fazia ao caos. Pele pálida o suficiente para parecer que nunca tinha visto sol na vida, o que era parcialmente verdade porque Alexander evitava sol da tarde como quem evita uma reunião que podia ter sido e-mail.
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PERFEITOS POR FORA
RomanceAlexander Cross e Mia Schances são, para qualquer pessoa de fora, o casal dos sonhos. Ele: advogado frio, elegante, de poucas palavras e expressão permanentemente apática - o tipo que vizinhos descrevem como "tão educado, tão reservado" enquanto bai...
