O Perfeito Incômodo

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O Perfeito Incômodo
Elliot James fechou a porta do dormitório com mais força do que pretendia, soltando um suspiro longo e cansado. O quarto pequeno parecia ainda menor com a bagunça que Logan Hayes havia deixado para trás - novamente. Uma jaqueta do time de basquete jogada sobre a cadeira dele, um par de tênis sujos no meio do caminho e o cheiro de perfume caro misturado com suor pós-treino impregnando o ar.

Ótimo. Mais um dia sendo o empregado doméstico gratuito desse idiota.
Ele tirou os óculos, esfregando os olhos enquanto caminhava até sua mesa organizada. Livros de Ciência da Computação empilhados perfeitamente, fones de ouvido no lugar certo, canetas alinhadas. O lado dele do quarto era um oásis de sanidade. O lado de Logan parecia ter sido atingido por um furacão de ego.

- Como alguém consegue ser tão irresponsável? - murmurou Elliot baixinho, pegando a jaqueta de Logan com dois dedos como se fosse algo contaminado. - Capitão do time, estrela do campus, querido por todo mundo... e ainda assim vive como um porco.

Ele pendurou a jaqueta no cabide com um gesto irritado. Seu cérebro, como sempre, não parava de listar todos os defeitos de Logan Hayes.
Arrogante. Barulhento. Irresponsável. Provocador de merda.

Desde o primeiro dia, quando o coordenador de moradia anunciou que ele teria que dividir o quarto com o jogador de basquete, Elliot soube que seria um desastre.

Logan tinha entrado no dormitório como se fosse dono do lugar, com aquele sorriso convencido e o corpo alto e atlético ocupando espaço demais. Tinha olhado para Elliot de cima a baixo, rido e dito:
- Então você é o nerd que vai ser minha sombra esse semestre? Legal.
Elliot odiava como aquela voz grave ainda ecoava na sua cabeça.

Ele se jogou na cama, abrindo o notebook. A tela iluminou seu rosto cansado. Eram quase nove da noite e, enquanto ele estava ali tentando adiantar um projeto de algoritmos, Logan provavelmente estava...

No outro lado do campus, a música alta pulsava na casa da fraternidade Sigma Chi. Logan Hayes estava sentado no sofá principal como um rei, pernas abertas, um braço esticado sobre o encosto. Duas garotas - uma loira do time de dança e outra morena que ele nem lembrava o nome - estavam coladas nele, rindo de qualquer coisa que ele dizia.

- Logan, você foi incrível no jogo de ontem - ronronou a loira, passando a mão pelo peito dele por cima da jaqueta do time.
- É, baby, eu sei - respondeu ele com um sorriso preguiçoso, tomando um gole da cerveja. Seus amigos do time riam ao redor, contando a mesma história pela terceira vez sobre o arremesso decisivo.

Logan riu alto de algo que um dos caras disse, mas sua mente vagou por um segundo. O dormitório. Aquele quarto apertado. E o garoto quieto que morava com ele.
O que será que o Elliot tá fazendo agora? Provavelmente estudando com cara de quem chupou limão.

Ele quase riu sozinho. O nerd era tão fácil de irritar. Tão certinho. Tão... diferente de todo mundo que bajulava Logan o tempo inteiro. Era quase divertido ver como Elliot tentava ignorá-lo, com aquelas bochechas que ficavam vermelhas quando ele o provocava demais.

- Logan? - chamou a morena, fazendo biquinho. - Tá me ouvindo?
- Claro que tô, gata - mentiu ele, puxando-a mais para perto e dando um beijo rápido no pescoço dela, só para manter as aparências.

Ele não estava nem aí para o nome dela. Nem para a festa, na verdade. Mas era o que se esperava dele. O capitão. O cara popular. O que nunca ficava sozinho.
Enquanto isso, no quarto silencioso do dormitório, Elliot fechou o notebook com força, irritado consigo mesmo.
- Idiota. Nem liga que eu existo, só me usa pra fazer graça pros amigos dele. "Olha só o meu colega de quarto esquisito". Babaca.
Ele se levantou, indo até a janela. Daqui dava pra ver as luzes das fraternidades brilhando ao longe. Provavelmente Logan estava cercado de gente, garotas penduradas no braço dele, sendo o centro das atenções como sempre.

Elliot sentiu um aperto estranho no peito. Raiva, ele disse para si mesmo. Só raiva.
- Tomara que ele durma fora hoje - sussurrou, voltando para a cama. - Não quero ter que lidar com aquele cheiro de perfume vagabundo e risada alta às três da manhã.

Mas, no fundo, ele sabia que Logan ia voltar. Como sempre voltava.
E, como sempre, Elliot ia fingir que odiava cada segundo disso.

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