Meu pequeno barco velho rangia e estalava a cada balanço das ondas no porto de Water 7. O cheiro de peixe fresco misturado com madeira molhada e óleo de navio invadia minhas narinas, pesado e familiar.
Gritos de marinheiros se misturavam às risadas de crianças correndo pelo cais, enquanto o tilintar de sinos presos aos mastros completava o caos matinal.
Desembarquei com meu companheiro Darie, ambos atentos a cada movimento ao redor.
Nossa missão era simples: conseguir comida e informações. Nada muito complicado... pelo menos era o que eu pensava.
Seguimos pelas ruas estreitas da cidade das águas, e não consegui evitar diminuir o passo. As casas de madeira coloridas se equilibravam sobre palafitas, pequenas pontes ligavam os canais, e barcos de pesca balançavam preguiçosamente. Simples, mas lindo.
Cada detalhe parecia pintado à mão, do reflexo azul da água aos pássaros que voavam baixo sobre os telhados.
Foi então que percebi.
Darie não estava mais ao meu lado.
- Darie? - murmurei, os olhos vasculhando a multidão. - ...Tarde demais.
Soltei um suspiro resignado e segui em frente. Procurá‑lo agora seria inútil.
A cidade seguia viva e indiferente: crianças brincando nos canais, mercadores anunciando peixe fresco, marinheiros discutindo rotas e apostas.
- Onde será que eu acho comida por aqui, hein... - resmunguei, sentindo o estômago reclamar.
Foi quando ouvi um som familiar. Vozes altas, risadas soltas, pratos batendo.
Me aproximei quase correndo.
- Ouw... - respirei fundo. - Era exatamente o que eu estava procurando.
Uma taverna pequena, mas acolhedora. O cheiro de pão quente e carne grelhada escapava pelas janelas abertas. A placa pendia torta, com letras gastas pelo sol. Ainda assim, parecia perfeita: comida boa e barata.
Entrei confiante. Não se entra num lugar desses demonstrando fraqueza.
Enquanto caminhava até o balcão, fiz um rápido levantamento mental: quatro piratas procurados, dois marinheiros disfarçados mal demais para enganar alguém, e um caçador de piratas encostado num canto, atento demais.
Talvez essa taverna não fosse uma ideia tão boa assim, pensei.
Mas continuei. Minha barriga estava em estado crítico.
- O que eu consigo comer com isso, bom senhor? - perguntei, estendendo algumas moedas encardidas.
O velho tirou o charuto da boca e gargalhou alto.
- Isso aí não paga nem os restos dos cachorros - disse, jogando um pano sujo sobre o ombro. - Se não tem dinheiro, sai daqui!
- Ô velho, dá um prato de carne pra ela. Eu pago.
Virei o rosto para agradecer... e travei por um segundo.
Luffy do Chapéu de Palha?!
O pensamento passou rápido demais para transparecer.
- Eu agradeço muito - respondi, contida.
Meus olhos insistiram em voltar novamente ao chapéu que me parecia muito familiar.
Me sentei.
Enquanto esperava a comida, a curiosidade venceu.
- Onde arranjou esse chapéu?
Luffy- Um amigo me deu - respondeu, tocando a aba com cuidado.
Aquele sorriso despreocupado trouxe uma lembrança distante, rápida demais para eu entender.
YOU ARE READING
Lótus Negra T1 | T2 ( One Piece )
FanfictionEm Water 7, os Chapéus de Palha estão prestes a enfrentar o Governo Mundial pela liberdade de Nico Robin. O que Luffy não esperava era que os caminhos de seu bando cruzassem com os de uma mulher misteriosa, carregada de segredos e com o próprio pass...
