Capítulo 1: Sempre o primeiro dia de aula

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Capítulo 1: Sempre o primeiro dia de aula

Ashlyn

Eu nunca fui exatamente o tipo de pessoa que faz amigos.

Na verdade, durante toda a minha vida, eu consegui evitar isso com uma eficiência quase profissional. Enquanto outras crianças criavam grupos, combinavam festas do pijama ou passavam horas conversando por chamada de vídeo, eu estava perfeitamente satisfeita no meu próprio canto, lendo, treinando balé ou simplesmente aproveitando o silêncio.

E sinceramente? Eu gostava assim.

Quem não gostava eram meus pais.

Todo começo de ano letivo era igual. Parecia até tradição familiar. Minha mãe fazia café demais por ansiedade, meu pai queimava alguma coisa na torradeira e, inevitavelmente, os dois me puxavam para uma conversa "casual" antes de eu sair de casa.

- Ash, tenta fazer amigos esse ano.

Como se amizade fosse dever de casa.

Como se eu pudesse entrar na escola e anunciar:
"Olá, inscrições abertas para pessoas emocionalmente toleráveis."

Minhas respostas nunca ajudavam muito.

- Talvez na próxima encarnação.

Ou:

- Vou analisar a proposta e responder em até três dias úteis.

Meu pai sempre fingia indignação. Minha mãe apenas suspirava como se eu tivesse acabado de dizer que pretendia morar numa floresta isolada.

Mas eu nunca quis magoá-los. Eu amava meus pais. Só que socializar era cansativo. Pessoas eram barulhentas, invasivas e, muitas vezes, cruéis sem motivo algum.

Sozinha, pelo menos, eu tinha paz.

Por isso, quando aquele ano começou, eu tinha certeza absoluta de que seria igual aos outros.

Silencioso, previsível, controlado, sem convites para o baile ou festas, sem convite para eu dormir na casa dos outros ou as pessoas vierem dormir na minha etc.

Eu realmente devia ter aprendido que a vida adora destruir expectativas.

O caos começou às seis e quarenta da manhã.

Eu me atrasei porque achei uma ideia brilhante ensaiar uma sequência nova de balé antes da aula. Resultado: perdi completamente a noção do tempo.

Quando desci as escadas já uniformizada, minha mãe tinha saído para o trabalho e meu pai encarava uma torrada carbonizada como se ela tivesse ofendido pessoalmente toda a linhagem da família.

- Ela ainda está comestível - declarou ele.

- Pai, isso parece evidência de incêndio criminoso.

- Você que é muito crítica, soldado. Além do mais, seu velho pai queria te dar uma proteína emocional.

- Isso definitivamente não é proteína e a única emoção que isso me trás é desgosto.

- Você vai se atrasar, prefere comer algo antes de sair ou desmaiar no colégio?

- Honestamente? A segunda opção é bem tentandora.

Mesmo assim, peguei a torrada. Porque eu estava atrasada. E porque, tecnicamente, ainda era comida.

Saí correndo de casa enquanto terminava de mastigar aquela tragédia culinária.

Ao contrário da maioria das escolas, a Alto High tinha ônibus relativamente organizados. Existiam assentos suficientes, o que normalmente significava que eu conseguia viajar sozinha.

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