capítulo 44: Um dia antes

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Ansiosa, com medo, esse era o meu estado emocional, faltando apenas um dia para o grande dia, o meu casamento com o Sr. Richard Montreve. E pela primeira vez senti as borboletas no estômago, revirar. Trazendo-me a sensação de que tudo teria que sair perfeitamente como foi planejado, e nesse momento me senti pequena no meio da bagunça dos sentimentos aflorados, apenas uma pessoa normal tentando respirar normalmente, enquanto o mundo parecia correr rapidamente demais ao meu redor. E que mesmo assim, transbordava de felicidade, desde a escolha do convite, das cores, até a escolha do vestido, a emoção sempre tomou conta, pois estou prestes a viver a realização de uma vida, e eu sinto uma felicidade daquelas que assustam, sabe? Porque até às mais verdadeiras, tem esse efeito, causam medo. Principalmente quando se passa a maior parte do tempo, buscando sobreviver, em meio ao caos. Contava os dias para essa ocasião chegar, e saber que é amanhã, me torna desde agora uma garotinha realizada, que idealizava um casamento com vestido branco, digno de princesa.

Acredito que se perguntem, mas você não era casada com Webert? Sim, casamos apenas no civil, um casamento intimista, simples, na correria e por as condições estarem bem apertadas. Mas isso não importa mais, porque a minha vida recomeça amanhã, e tem coisas que merecem ser esquecidas, e enterradas.

Como a mídia espalhava, faltava apenas um dia para "o grande evento do ano" ou o "casamento do século". Desde que descobriram sobre, os jornalistas ficaram impossíveis, como se o mundo inteiro precisasse saber cada respiração minha e do meu futuro marido, criando especulações, matérias absurdas, e registrando fotografias. Pessoas tentando descobrir com exclusividade detalhes da cerimônia, decoração, roupa dos noivos. Totalmente intrusos, como se o relacionamento tivesse deixado de pertencer a nós dois. E talvez parte disso fosse verdade, porque Richard não era apenas um homem respeitado, rico, ele era impacto, manchete onde passava. E o seu casamento não seria diferente. O tipo de pessoal que muda o ambiente em que passa, apenas entrando neles, sempre exalava poder, autoridade e confiança. Com as tentativas de invasões para conseguir matérias sobre o acontecimento mais esperado, Richard resolveu aumentar a segurança dentro e fora da empresa, mostrando-se sempre cuidadoso, calculista, pecando pelo excesso e nunca pela ausência.

Ainda me recordo do meu primeiro contato com ele, no elevador, e logo depois na entrevista de emprego. Lembro da sua frieza, do homem direto, e que usava armadura contra quaisquer perigos, emocionais, sentimentais, ou de algo que saísse do seu controle. Conhecendo ele percebi que não era frio porque queria parecer inalcançável. Montreve era frio porque precisava sobreviver daquele jeito. E entender isso, mudou completamente a forma como eu passei a enxergar ele. No começo, amar Richard Montreve parecia impossível. Porque ele se afastava, antes que alguém pudesse chegar perto demais. Era controlador, nas palavras, nos gestos, nas emoções, e tinha o domínio nos ambientes que estava, pois sabia se impor diante das pessoas. Era nítido que ele utilizava o autocontrole como mecanismo de sobrevivência. E honestamente assustava até a mim, sua postura rígida, o olhar duro, A forma como homens perigosos abaixavam a cabeça quando ele falava. O jeito como o silêncio dele conseguia intimidar mais do que gritos.

Mas então... existiam os momentos em que a armadura rachava. Pequenos momentos. Quase invisíveis para qualquer outra pessoa. Mas não para mim, comecei a perceber nos detalhes, no jeito como ele me observava escondido enquanto eu falava demais. Na forma cuidadosa como segurava minha cintura quando eu estava nervosa.Nas vezes em que ele passava madrugadas acordado tentando garantir minha segurança no período da perseguição, e do sequestro. No tom da voz dele ficando mais baixo quando eu estava assustada. Richard nunca foi um homem de palavras fáceis. Ele amava em ações, em proteção, em presença.
E talvez tenha sido isso que me desestabilizou primeiro, aflorando e nutrindo um sentimento que nunca pensei que seria correspondido, até ele ser. E eu tive certeza que quando um homem como Richard Montreve ama... ele ama inteiro. Mesmo sem saber demonstrar direito no início.
Nossa história nunca foi simples. acho que "simples" nunca existiu perto de nós. Tivemos medo de perder um ao outro, discussões como qualquer casal, distanciamento, segredos, perdidos reais. Ficamos cercados por pessoas ambiciosas e invejosas, que tentavam destruir tudo, Pessoas tentando destruir a mim.
E ainda existe uma parte minha que treme de lembrar do sequestro. Do medo. Da sensação sufocante de vulnerabilidade. Da impotência.
Porque existe um tipo específico de dor em perceber que alguém usou você para atingir a pessoa que ama.
E Richard... Meu Deus. Richard quase enlouqueceu.

Montreve: jogada PerigosaStories to obsess over. Discover now