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Henrique Macedo De Araújo (vulgo Araújo) 29 anos.
O baile já estava lotado quando cheguei.
A música fazia o chão tremer, as luzes cortavam a escuridão, gente usando droga pra caralho e mulheres praticamente nuas dentro do camarote implorando pra serem comidas
Era sempre assim.
Acendi um cigarro e observei a movimentação do alto do camarote.
Meu celular vibrou no bolso.
Olhei para a tela.
Minha irmã.
Ignorei.
Uma, duas, três vezes...
Menos de dois minutos depois, o telefone tocou de novo e logo parou.
A mesma ligação.
Fiquei sem paciência e acabei atendendo a ligação, antes que eu pudesse falar sua voz invadiu meus ouvidos em primeiro instante.
Ligação on
- Que porra de pai é você, Henrique ? -Eu estou tentando falar com você a mais de meia hora e você não atende essa merda.
- Qual foi, tá surtando por que caralho ?
- O Ravi está passando mal, está a queimando em febre e reclama de dor de garganta, eu já dei remédio mas não está adiantando, vou levar ele no médico.
- Marca dez, tô indo pra aí.
Ligação on
Desligo o telefone e saio correndo do camarote, saindo do baile atrás do meu carro.
Entrei no carro e dei partida sem pensar duas vezes.
O som do baile foi ficando para trás enquanto eu acelerava pelas ruas vazias da madrugada.
Meu celular continuava no banco do passageiro. A tela acendia de vez em quando com mensagens da minha irmã, mas eu nem precisava ler para saber o que era.
Apertei o volante com força.
Ravi quase nunca ficava doente. Quando acontecia, era sempre ela quem resolvia tudo. Eu aparecia quando dava, ajudava com dinheiro, comprava tudo o que ele queria,dou tudo do bom e do melhor.
Mesmo assim, aos olhos da Daniela, eu continuava sendo o filho da puta irresponsável da história.