O Julgamento

1 0 0
                                        

*CAP 9 - 'O JULGAMENTO'*

O salão do Clã Noctis não tinha janelas.

Só tochas. Só sangue seco nas pedras. Só olhos.

Sete vampiros. Sete tronos. Sete sentenças.

E no centro, eu.

Aurora. Humana. Marcada.

"Ela cheira a ele", disse a mulher de cabelos prateados. "E cheira a medo."
"Eu não tenho medo", eu respondi. Minha voz tremeu. Minhas presas doeram.

Riven estava atrás de mim. Não me tocava. Não podia.

A lei do Clã é clara: quem marca sem permissão, morre. Quem é marcado sem permissão, morre.

"Riven Noctis", o Ancião falou. "Você escolheu o veneno."
"Eu escolhi ela", ele disse. Calmo. Gelado. Definitivo.

A sala inteira prendeu a respiração.

"Então você morre com ela", o Ancião decretou.

Eu senti o pânico subir. A sede subir junto. A marca em meu pescoço queimou.

Riven deu um passo à frente. O primeiro em 200 anos.

"Não."

A palavra cortou o ar como lâmina.

"Ela não é uma escolha. Ela é a minha lei."

Silêncio.

Então, a mulher de cabelos prateados riu.
"Você enlouqueceu. Ela é fraca. Humana. Descartável."

Riven virou para mim. Pela primeira vez, não havia frieza nos olhos dele.

"Mostra pra eles o que você é, Aurora."

Eu não entendi. Até a fome bater.

A sede. A força. O veneno doce correndo nas minhas veias.

Eu não era mais só humana.

Eu era Noctis.

E Noctis não pede permissão.

Eu ergui o queixo. Encara o Ancião.
"Me matem, se conseguirem."

VENENO DOCEStories to obsess over. Discover now