- Sairemos em alguns minutos.
A porta foi fechada. Sua mãe a ajudara nos últimos ajustes sobre a vestimenta. Estava sozinha agora, imersa em seus pensamentos. Diante do espelho, ensaiava o silêncio. O corpo não poderia tremer. As mãos deveriam ficar firmes. Os olhos deveriam transmitir que sabia o que estava respondendo. Ajustou o véu uma última vez.
Um véu negro que pudesse encobrir sua vergonha.
Olhou novamente para os braços. Queria ter certeza que as marcas não estariam à mostra.
Tentava afastar os pensamentos do que viria a seguir. Sabia que mentir pioraria a situação.
No seu íntimo, sabia que era responsável pelos seus atos
Mas não entendia como ele a abandonara no seu momento de maior fragilidade.
Ouviu a buzina do carro. Olhou para o celular. Havia chegado a hora.
Respirou fundo. Uma, duas vezes. Dirigiu-se à porta.
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- Eu exijo justiça! Nossas leis não permitem tamanha ofensa contra um membro de uma família pertencente ao CONGLOMERADO. Ele conhece as leis e, mesmo assim, as desrespeitou descaradamente. A balança está desnivelada!
A voz de Romano Alessi ecoou pelo grande salão oval, rompendo o silêncio opressivo. As seis bandeiras das famílias pareceram tremular durante sua fala. As tribunas pareciam lotadas de sombras.
Ainda que não fosse alto, Romano impunha respeito. O corpo ainda era atlético, mas já contrastava com alguns cabelos brancos, e os olhos escuros mantinham-se firmes na tribuna à frente.
Viktor Volkov era seu contra-ponto.
- Seu argumento é que meu filho de dezessete anos desrespeitou as nossas leis e sua filha as cumpriu com rigorosidade? Ela é a vítima, e ele, o criminoso? Ambos foram estúpidos.
As palavras de Viktor podiam ser ouvidas de qualquer ponto em que se estivesse na sala. Voz rouca, com sotaque russo, cheia de autoridade. Era um homem corpulento, pesado. Suas cicatrizes de guerra destacavam seu olhar amedrontador. Seus cabelos quase cinzentos mostravam uma idade avançada, apesar de não ser muito mais velho que Romano. A sua imponência no tribunal era assustadora.
Romano o encarava nos olhos. Não era permitido, em questões que envolvessem membros das famílias do CONGLOMERADO, nenhum tipo de agressão. Suas leis eram antigas, rígidas. A situação, ainda assim, parecia sair do controle.
- Ambos foram estúpidos..., mas as consequências não foram iguais - retrucou Romano.
Sua esposa e mãe de Rayna, Giuliana, lembrou-se nesse momento da ligação que recebera de Leon.
Senhora Alessi... Rayna precisa de ajuda.
- Patriarca Romano Alessi! Patriarca Viktor Volkov! - A voz da Matriarca Adriana Fizellis cortou o ar.
- Ambos os filhos serão ouvidos pelos Patriarcas. Não permitiremos essa troca de acusações. A questão será resolvida conforme as leis do CONGLOMERADO, ao qual vocês e suas famílias fazem parte. Qualquer atitude contrária às nossas tradições... não será tolerada!
Ela observa as reações de ambos os pais.
Voltaram as atenções ao púlpito acima. Seis cadeiras. Quatro ocupadas pelos patriarcas das famílias Demichellis, Van Crosters e Berger. Ao centro, a matriarca da família Fizellis. Nenhuma reação de imediato. Sabiam que a decisão viria deles. E não seria contestada.
Romano voltou-se para a filha. Rayna permanecia de pé, véu negro cobrindo o rosto, mãos cruzadas à frente do corpo. Uma mecha loira escapava, caindo ao lado da face pálida. Seus olhos azuis olhavam para baixo, encarando seu reflexo mal formado no jatobá do piso.
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Maior que a Honra e o Dever (A História de Rayna Alessi e Nald).
RomanceRayna Alessi comanda impérios. Fria, precisa, intocável - a "senhora de cromo" nunca perdeu o controle de nada. Até encontrar alguém que não pode controlar. Nald não tem família, não tem rede de proteção, sequer tem sobrenome. Apenas um senso de jus...
