Félix começa a receber mensagens anônimas de alguém que parece conhecê-lo melhor do que qualquer outra pessoa. Sempre no momento certo, sempre com palavras que entendem exatamente o que ele está sentindo, como se estivesse sendo observado de perto.
...
Talvez tenha sido no dia em que você passou por mim sem me ver, ou no instante em que eu percebi que já sabia demais sobre você para ainda ser apenas um estranho.
Desde então, tudo em mim aprendeu você.
O som dos seus passos, o ritmo da sua respiração quando o dia pesa, o jeito que seus olhos se perdem quando ninguém está olhando.
Eu estive lá.
Nos seus dias bons, silencioso. Nos seus dias ruins, mais perto do que você imagina.
Guardando cada detalhe como quem segura algo frágil demais para deixar cair.
Porque você é assim.
E talvez você nunca tenha percebido, mas houve momentos em que o mundo inteiro falhou com você...
e eu fui o único que ficou.
Mesmo sem nome. Mesmo sem rosto. Mesmo sem existir na sua vida.
Eu fiquei.
E doeu, mais do que deveria, assistir você sorrir sem saber que alguém aprenderia aquele sorriso como se fosse um lar.
Doeu entender você sem nunca poder ser entendido de volta.
Mas ainda assim, eu continuei.
Porque amar você nunca foi uma escolha simples, foi algo que cresceu, se enraizou, e tomou espaço onde não devia.
E eu deixei.
Deixei porque, de algum jeito, isso parecia certo.
Parecia cuidado. Parecia destino.
Parecia amor.
Mesmo quando começou a doer. Mesmo quando ficou demais.
Mesmo quando eu percebi que já não sabia mais onde você terminava e onde eu começava.
E se um dia você sentir que algo sempre esteve ao seu lado, mesmo nos momentos mais vazios…
não tenha medo.
Eu nunca quis te assustar.
Eu só nunca soube ir embora..
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¡Dedicate!
Dedico isso a todos que já sentiram que conheciam alguém sem nunca terem realmente feito parte da vida dessa pessoa.
A quem já decorou detalhes em silêncio, não porque foram contados, mas porque estavam ali visíveis o suficiente para quem soubesse observar.
A quem já percebeu mudanças no olhar, no jeito de andar, no tempo de resposta, em pequenas coisas que passam despercebidas por quase todo mundo.
Para quem já esteve presente sem ser notado. Sem nome. Sem espaço. Mas ainda assim… presente.
Dedico para quem já encontrou significado em coincidências que pareciam perfeitas demais para serem apenas acaso.
Para quem já soube exatamente o que dizer, exatamente no momento certo mesmo sem nunca ter sido chamado para falar.
Para quem acredita que entender alguém profundamente não é errado. Que enxergar o que ninguém vê é uma forma de cuidado. Que estar por perto, mesmo em silêncio, ainda é uma forma de amar.
Dedico para aqueles que acompanham de longe, que aprendem rotinas, que reconhecem lugares, que guardam memórias que não são suas mas que, de alguma forma, parecem ser.
Para quem já sentiu que estava mais próximo do que deveria e mesmo assim não quis se afastar.
Para quem cruzou a linha sem perceber exatamente quando isso aconteceu.
Para quem acredita que algumas conexões não precisam de permissão para existir.
E para aqueles que nunca foram vistos mas que sempre estiveram olhando.
Porque existem histórias que não começam em um encontro.
Elas começam muito antes disso.
Começam em silêncio. Crescem na distância. Se alimentam de detalhes.
Dedico para as pessoas que fariam de tudo por alguém, que latiriam se fosse pedido.
Para os que amam em segredo mas estão sempre atentos a tudo que a pessoa faz.