—Esse plano é horroroso. — Disparou a irmã do meio, ofegante pela corrida.
—Você tem alguma ideia melhor? Se tiver, é melhor que fale agora — Retrucou a outra, irritada. Assim como a irmã do meio, tinha o rosto corado pelo exercício feito. Elas já haviam andado cerca de doze quilômetros, esgueirando-se pela mata e despistando seus perseguidores pelas estradas mais movimentadas. Aquela era a quarta parada que faziam.
Annelise franziu o cenho. Ela definitivamente não tinha uma ideia melhor, mas, qualquer coisa parecia mais inteligente do que aquilo.
Correr para o território feérico em busca de proteção? Era praticamente suicídio.
—Eu ainda não tenho uma — Admitiu, levando a mais velha a rolar os olhos aborrecidamente. — Mas eu te garanto que consigo pensar em algo melhor até amanhã cedo.
—Até lá nós já estaremos mortas, pelo amor de deus! — Ela respirou fundo. — Não podemos perder muito tempo aqui, aliás. Devemos trocar de roupas, comprar perfumes ou usar incensos para disfarçar nossos cheiros...
—Nada disso vai adiantar. — O tom da caçula do trio era de puro pessimismo. Ela estava sentada no chão, de braços cruzados e com a cabeça encostada na parede. E encarava a dupla a sua frente com a mesma indiferença e frieza irritante de sempre. —Eles vão nos capturar de qualquer jeito. É apenas questão de tempo.
A dupla a sua frente a encarou por uma fração de segundos antes de se virarem drasticamente uma para a outra.
—Eu vou providenciar as roupas e você, os incensos — Disparou a mais velha.
Annelise suspirou exaurida. Continuava achando aquela uma péssima, uma terrível ideia, mas na falta de alternativas e a conformidade quase mórbida de Chiara com o destino que as aguardava, era melhor tentarem.
—Feéricos não gostam de serem enganados. — Avisou, encarando Greta que simplesmente deu de ombros.
—Humanos também não! — A irmã rebateu, a encarando como se ela fosse uma idiota.
Bem, talvez ela fosse mesmo, por achar que qualquer um dos seus argumentos fossem capaz de dissuadi-la. Greta estava determinada a usá-los a qualquer custo.
Annelise apenas suspirou resignadamente antes de rolar os olhos e se afastou a passos rápidos, murmurando um tanto descontente. Apesar de tudo, ainda preferia lidar com Greta e seu desespero por mantê-las vivas, do que com Chiara e sua absoluta falta de preocupação. Era melhor ficar irritada e viver constantemente tensa, do que apavorada, paranoica e fria como a irmã caçula.
Afastou-se da dupla rapidamente.
Greta preparou-se para abandonar o pequeno posto também, e se preparar para a sua parte daquela missão, virando-se para encarar Chiara.
—Fique aqui até nós voltarmos. Não vamos demorar.
Não se sentia muito confortável em deixar a irmã mais nova ali naquela viela malcheirosa e estreita, mas também não se sentia muito confortável com a ideia de levá-la consigo e ouvir as suas teorias mirabolantes e assustadoras.
—Não se preocupe. Eu não vou a lugar nenhum. — Exclamou, em um muxoxo desanimado.
Greta abriu e fechou a boca e franziu o cenho antes de virar as costas para ela e balbuciar algumas palavras incompreensíveis, desaparecendo em questão de minutos.
Chiara permaneceu exatamente onde estava, suspirando fundo. Embora estivesse acostumada a ser deixada para trás, não podia deixar de se sentir frustrada com esse fato. Ela cruzou os braços e voltou a suspirar fundo. Só podia torcer para que aquelas idiotas egoístas voltassem o mais rápido possível.
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De Repente, Fadas
FantasyPara fugir da fome e da guerra, Greta e suas irmãs Annelise e Chiara fogem para o Reino das Fadas, bebem uma poção mágica e adotam a aparência de feéricas simples e humildes.
