O sol do fim de tarde dourava a vasta pastagem da fazenda, tingindo o horizonte em tons de laranja e roxo. Tiffany ajustou as rédeas, guiando o gado com a habilidade de quem cresceu sobre a sela. Ao seu lado, seu pai acompanhava o ritmo, garantindo que a última cabeça de gado entrasse com segurança no curral.
Com a boiada finalmente guardada, Tiffany deslizou suavemente do cavalo. Sentindo o cansaço do animal, ela deu leves tapinhas no pescoço musculoso dele e o acariciou carinhosamente.
— Você trabalhou bem, garoto — murmurou ela com um sorriso, limpando um pouco do suor da testa.
— Menos mijo e mais ação! — a voz grave do pai cortou o momento.
Antes que ela pudesse reagir, ele lançou um balde pesado de fertilizante em sua direção. Tiffany o pegou no ar por reflexo, franzindo o cenho imediatamente.
— Vai lá passar isso nas plantações antes que escureça — ordenou ele, já se virando.
— Mas pai! — protestou Tiffany, indignada, segurando o balde com fúria. — Eu tenho uma festa pra tocar e fotografar hoje à noite! Até eu colocar fertilizante em tudo isso vai demorar horas, vou me atrasar toda!
O pai parou, olhou para ela por cima do ombro, sustentando o olhar firme por alguns segundos. Por fim, deu um suspiro derrotado.
— Só hoje — cedeu ele, balançando a cabeça.
— Valeu! — gritou Tiffany, pulando de alegria e soltando o balde no chão antes que ele mudasse de ideia. Ela saiu correndo em disparada em direção à casa.
— Quero você de pé às 6h amanhã! — o pai gritou de longe, com a voz ecoando pelo campo.
O dia deu lugar a uma noite limpa e estrelada. Tiffany vestiu sua jaqueta de couro, conferiu os equipamentos na mochila e foi até a garagem. Subiu na velha Harley-Davidson que tinha herdado do estilo do pai, deu o partida no motor — que urrou com o barulho grave e encorpado clássico — e acelerou em direção à cidade.
O vento frio da noite batia contra seu rosto enquanto as luzes urbanas começavam a substituir a escuridão da estrada rural. Não demorou muito para que ela encostasse a moto em frente à balada mais movimentada da região.
Logo na entrada, Richard, seu melhor amigo e parceiro de som, já a esperava. Assim que a viu, ele abriu um sorriso e estendeu a mão. Os dois executaram um toque de mão complexo e perfeitamente sincronizado — um cumprimento secreto que só eles sabiam fazer.
— E aí? Pronta pra faturar uns 2 mil hoje à noite? — perguntou Richard, animado, ajeitando o fone de ouvido no pescoço.
— Com toda a certeza! — respondeu Tiffany, com o olhar brilhando de determinação.
Eles entraram e assumiram a cabine. A balada começou a encher rapidamente. Tiffany tomou conta das picapes ao lado de Richard, soltando batidas marcantes e fazendo a pista de dança tremer. A energia do lugar era contagiante. Depois de incendiar o público com o set inicial, ela deixou o som nas mãos habilidosas do amigo e pegou sua câmera profissional.
Transitando entre as luzes neon e a fumaça da pista, Tiffany começou a fotografar. Ela procurava os melhores ângulos, as risadas espontâneas, as luzes cortando a multidão. Em um breve segundo de pausa, enquanto ajustava o foco da lente, ela olhou ao redor e suspirou. Pensou no quanto seu sonho de se tornar uma fotógrafa de grandes eventos internacionais ainda ia exigir dela. Sabia que a jornada seria longa e que teria que ralar muito em festas locais como aquela para conseguir pagar a faculdade.
Seu devaneio foi interrompido abruptamente pelo vibrar forte do celular no bolso. Ela olhou para a tela e viu o nome da irmã mais nova, Mia, de 17 anos. Preocupada com o horário, atendeu imediatamente.
— Tiffany! Me ajuda, por favor! — a voz de Mia veio do outro lado da linha, desesperada e afobada.
O som da balada estava alto demais. Tiffany colocou o dedo no outro ouvido e caminhou apressada em direção à porta de saída.
— Mia? Calma! — disse Tiffany, saindo para a rua para conseguir ouvir melhor. — O que aconteceu? Sério que você me ligou pra isso essa hora? Eu tô trabalhando!
— É o show do BTS no Brasil, Tiffany! — disparou Mia, quase sem respirar. — Eles vêm e eu preciso ir, mas a mãe disse que não vai deixar de jeito nenhum! Você precisa me ajudar a convencer ela!
Tiffany rolou os olhos, soltando um estalo com a língua.
— Sério que você me ligou em pânico por causa disso, Mia?
— Mas você já foi ARMY, irmã! — rebateu Mia, implorando. — Você sabe exatamente como eu tô me sentindo! Eu sei que você ainda gosta dos meninos, não finge que não!
Tiffany ficou quieta por um momento. As palavras da irmã atingiram um ponto nostálgico no seu peito, e memórias de quando ela mesma passava horas ouvindo as músicas e surtando com os lançamentos vieram à tona. Enquanto Mia continuava choramingando e implorando no telefone, a porta da balada se abriu.
Richard colocou a cabeça para fora, acenando para ela.
— Tiff! Preciso de você de volta aqui no som! — chamou ele.
O foco de Tiffany mudou na hora. Ela voltou à realidade do seu trabalho.
— Tá, tá... você me convenceu — disse Tiffany rapidamente para a irmã no celular. — Amanhã a gente conversa sobre isso, tenho que voltar a trabalhar agora.
Sem esperar pela resposta de Mia, Tiffany desligou a ligação, guardou o telefone no bolso e caminhou de volta para a luz estroboscópica e o som grave da balada.
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Entre Beats e Batatas( BTS)
FanficEla deixou o passado de fã para trás... mas o destino tinha outros planos. Aos 24 anos, Tiffany vive uma verdadeira rotina de malabarista. De dia, enfrenta a poeira e o trabalho pesado ajudando o pai a tocar as tarefas do campo; à noite e nos fins d...
