O universo não era silencioso.
Ele respirava.
E no ponto mais alto, onde nem mesmo o tempo ousava correr, existia o Templo Solar — um lugar feito de luz viva, calor pulsante e poder absoluto.
Ali, sentada como se fosse dona de tudo… estava Kara Zor-El.
Deitada de qualquer jeito no chão de energia dourada, com uma fruta da Terra girando entre os dedos, ela suspirava entediada.
— Sério… — murmurou, mordendo a fruta.
— Tantos planetas, tantas civilizações… e vocês querem que eu cuide disso?
Uma voz ecoou, firme, antiga… impossível de ignorar.— Você não está aqui para “cuidar”. Está aqui para governar.
Kara revirou os olhos.
— Governar dá trabalho. Observar é mais divertido… principalmente quando envolve certas humanas.
Ela sorriu de lado, maliciosa.
— A Terra tem umas… obras de arte.
A luz ao redor vibrou, como se estivesse perdendo a paciência.
E então, ela apareceu.
A Mestre.
Uma figura feita de pura energia solar condensada, com forma feminina, olhos que pareciam duas estrelas prestes a colapsar.
— Você foi criada para ser a herdeira do Sol. — disse ela, fria. — Mas age como uma criança mimada.
Kara se sentou, apoiando o queixo na mão.
— Criança mimada com poder suficiente pra apagar galáxias. Vamos dar o devido crédito.
A Mestre se aproximou.
— Você evita suas responsabilidades. Ignora seus deveres. E desperdiça seu potencial com… prazeres triviais.
Kara levantou uma sobrancelha.
— Mulheres bonitas não são triviais.
Silêncio.
Pesado.
Perigoso.
— E comida boa também não. — completou, dando outra mordida.
A luz ao redor escureceu por um breve segundo.
Erro.
Grave erro.
Kara sorriu.
— Opa… agora ficou sério, né?A Mestre ergueu a mão.
E, pela primeira vez… Kara sentiu algo que não sentia há muito tempo.
Pressão.
— Você quer viver como uma mortal? — a voz da Mestre cortou o espaço. — Então viverá.
O sorriso de Kara vacilou.
— Ah… calma aí, isso parece—
Tarde demais.
A luz a engoliu.
Dor.
Foi a primeira coisa que Kara sentiu.
Mas não era uma dor comum.
Era pesada… densa… limitada.
Como se o próprio corpo estivesse… errado.
Ela puxou o ar com dificuldade, os pulmões ardendo como se nunca tivessem sido feitos para sustentar vida por tanto tempo. O calor que antes corria livre dentro dela — infinito, absoluto — agora era… pequeno.
Fraco.
Humano.
Seus olhos se abriram lentamente.
O brilho dourado havia desaparecido.
No lugar… um chão frio.
Mármore. Luxo. Silêncio.
E… humilhação.
Ela percebeu a posição em que estava.
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A ESPOSA ODIADA - Karlena
FanfictionNo alto do universo, onde a luz do sol molda destinos, vivia Kara Zor-El - a herdeira solar mais poderosa já criada. Mas, ao contrário do que se esperava, ela não se importava com deveres ou responsabilidades. Seu tempo era gasto admirando mulheres...
