Em meio ao brilho artificial dos holofotes, Charlie White nunca imaginou que sua vida mudaria ao cruzar o caminho de Julieta Dubarry - uma atriz enigmática, dona de um talento hipnotizante e de um passado... inexistente. Não há registros, entrevista...
Charlie estava há duas horas vendo a mesma foto, a mesma moça, a sua musa, a inspiração de suas músicas. Conhecera a mulher em uma peça teatral no Shubert Theatre, na Broadway, Nova York havia ganhado cor após aquela noite, e era uma cor verde escaravelho, a cor favorita dela, bom, todos os tons de verde a agradavam, mas o verde escaravelho, esse a cativava mais.
Sua guitarra produzia uma melodia suave e delicada, algo incomum visto que seu gênero musical era Rock pesado. Aquela mulher o mudou e ele sabia disso. Ele tinha que conhecer mais dela, tinha que a ver, sentir, provar. O bom de ser pertencente à uma família de advogados é a liberdade financeira de poder acessar facilmente pessoas... menos acessíveis, e aquela mulher, ah ela era inacessível.
Ele olhou para o enorme pôster da mulher, uma latina que transformou seu sonho americano em pesadelo.
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- Meu Deus - sussurrou Charlie - eu estou perdido por você, mulher.
De fato estava, ele havia se tornado seu fã número um, ela não era uma atriz muito famosa, mas seu nome estava em ascensão, os diretores queriam Julieta Dubarry em seus tablados e palcos, ela era a linha tênue entre a Santa e a depravada, e isso agradava ao público, agradava a Charlie.
Toc toc toc
Três batidas na porta, era sua mãe, ela sempre dava três batidas leves antes de entrar, sempre eram três e sempre eram leves independente da ocasião ou humor.
A mulher entra no quarto, faz uma leve expressão de nojo ao ver o estado do quarto de Charlie mas disfarça com um sorriso, o sorriso que ela sempre utiliza em situações que claramente a desagradam.
- Querido, Buck está lá em baixo -mande ele subir- ele disse se levantando da cama e indo guardar sua guitarra. - esta bem- ela se vira para ir à porta, para, volta a olhar o quarto e então olha para o filho - por favor, dê um jeito no seu quarto, não quero que Buck pense que meu filho é um desmiolando. - mãe - Charlie suspira - Buck não liga pra isso - ele não estava afim de discutir sobre limpeza com sua mãe, então apenas agiu conforme ela quis - mas tudo bem - ele se levantou e começou a pegar suas meias sujas do chão, olhou para a mãe, que agora estava levemente satisfeita.
A mulher saiu do quarto, Charlie imediatamente largou as meias no chão e se jogou na cama. Ele olhou para seus pôsteres de bandas e filmes de terror, viu como nenhum deles combinavam com o grande pôster de Julieta.
A porta se abriu, ele não precisou olhar para saber que era Buck, somente ele entrava sem bater. Buck se jogou na cama de Charlie.
- Cara - disse Buck, seu tom era de alguém que correu uma maratona - nunca mais me proponho a ajudar meu pai nas tarefas do trabalho, Tive que despistar ele e vir aqui, nem tomei banho.
Charlie fez uma leve careta - percebi - disse ele sentindo o odor das axilas de Buck. Buck percebeu, aproximou seu nariz de suas axilas e imediatamente expulsou o ar de seus pulmões, estava intragável - porra, me descola um desodorante?
Charlie revirou seus olhos, se levantou relutantemente da cama, foi até um ponto de seu quarto onde seu desodorante estava jogado. Apanhou o produto, mirou em Buck e o jogou, atingindo em cheio a barriga de Buck. - qual foi - disse Buck aparentando estar mais ofendido do que poderia estar. - nem doeu - Charlie Riu - sua banha segura até disparo.
Buck passou o produto - onde ponho? - perguntou a Charlie. - sei lá, só joga por aí - disse Charlie se sentando e uma poltrona perto da janela e rabiscando mais um de seus desenhos.
Buck jogou o desodorante em direção ao pote que comumente armazenava canetas, mas estava vazio. Obviamente não acertou, e Charlie não perdeu tempo e tirou sarro da cara do melhor amigo.
- babaca - murmurou Buck olhando para o desodorante, então seu olhar subiu e viu o pôster novo. - aí - disse Buck - quem é a gostosa? Charlie olhou para ele, então seguiu o olhar dele até o pôster. - é minha esposa, tira o olho - ele sorriu retornando ao seu desenho. - é daquela peça que sua mãe te levou? Ah cara se eu soubesse que esse era o show eu tinha ido e ainda comprava acento vip. - valeu s pena, acredite. - como é o nome dela? Não conheço essa atriz - Buck pegou o celular, pronto a pesquisar sobre ela. - É Julieta Dubarry. - Francesa? - não não, esse é o nome artístico dela ou algo assim, o nome dela mesmo é Julieta de Castro. Buck fitou o amigo por alguns segundos. - andou pesquisando sobre ela? - mano, eu tô apaixonado
Buck se sentou na, olhou para o celular, vasculhando as redes sociais da atriz, vendo suas postagens, seu magnetismo, seu humor. Charlie viu o olhar de Buck, era o mesmo dele, meu Deus, essa mulher tem esse efeito sobre todos os homens?
- não tem muita coisa sobre ela. - real, eu pesquisei muito e só achei coisas recentes, não tem nada sobre a carreira dela ou algo assim. - ela é bem ativa na causa trans né? - sim, ela é transsexual. - uau
Charlie foi até sua cama, juntamente a Buck assistiu algumas cenas da mulher, breves entrevistas, vídeos curtos em plataformas.
- por que ela sempre se desvia das perguntas do passado dela? - disse Buck - também não sei, mas isso só me deu mais vontade de saber mais.
Buck se levantou, pôs seus sapatos e esticou seus músculos gemendo levemente, como se tivesse hibernado.
- tô indo, fica ai com tua "esposa" - ele bagunçou o cabelo de Charlie, o que normalmente o deixaria irritado mas naquele momento ele estava parado olhando para o celular. Buck balançou a mão na frente do amigo, que finalmente expressou irritação. - pera aí - murmurou Charlie afastando a mão de Buck e concentrando-se no aparelho. - o que foi?
Charlie mostrou o celular para Buck, o aparelho mostrava um Tweet, zero curtidas, perfil sem foto ou detalhes, parecia ter sido criado apenas para postar aquele Tweet.
"o que os americanos veem em uma travesti brasileira? calma lá, ela tem bem mais do que um órgão masculino a esconder. Por que será que ela esconde tanto o passado? Será que não está ligada a algo diabólico? fica o questionamento"