" Quando percebi já estava lá
Mexendo na decoração da minha casa
E colorindo um coração que era sem graça
Tem foto nossa em todo canto dessa sala "
A porta se fechou atrás dele com um clique baixo, quase abafado pela madrugada que já tomava conta de Mônaco, e por alguns segundos Charles só ficou ali, parado, ainda com o corpo carregando o resquício da corrida o som do motor ainda ecoando na cabeça, a tensão ainda solta nos ombros, o cansaço atravessando de um jeito familiar até que o silêncio da casa começou a entrar.
E foi aí que ele percebeu.
Não de uma vez.
Mas em camadas.
Primeiro o cheiro, era algo leve, diferente, não era só o cheiro neutro da casa fechada tinha alguma coisa ali, doce, quase imperceptível, mas suficiente pra dizer que aquele espaço tinha sido vivido enquanto ele estava fora.
Ele soltou o ar devagar e deixou a mochila cair no chão sem muito cuidado e caminhou mais pra dentro, os passos desacelerando sem que ele percebesse, o olhar começando a registrar coisas.
Pequenas, mas impossíveis de ignorar. Como uma almofada fora do lugar habitual, não bagunçada, mas deslocada.
Como se alguém tivesse estado ali, como se alguém tivesse usado.
A luz baixa de um abajur que ele tinha certeza absoluta de que não tinha deixado aceso antes de sair. Uma caneca na mesa de centro. Não era dele e ele sabiam e o olhar ficou ali por um segundo a mais.
Deu mais alguns passos e foi quando viu, as fotos espalhadas, não organizadas em molduras formais, mais vivas, e apoiada na estante, outra encostada perto da televisão, a terceira meio escondida, quase esquecida, mas ainda ali.
Eles.
Ele passou a língua nos lábios, respirando fundo, como se aquilo tivesse chegado um pouco mais fundo do que ele esperava. A mão subiu até a nuca, um gesto automático, enquanto ele caminhava até mais perto, os olhos percorrendo cada detalhe como quem revisita um lugar que deveria ser conhecido mas já não era mais o mesmo. Porque não era. Não mais.
A casa dele aquela que sempre foi limpa, organizada, quase minimalista demais agora tinha presença.
Tinha história.Tinha marca. Tinha alguém.
Ele soltou um pequeno riso pelo nariz, quase desacreditado, o olhar ainda nas fotos, no sofá, nos pequenos sinais que se acumulavam como evidência silenciosa de algo muito maior.
— Quando foi que isso aconteceu... _ Disse baixo, mais pra si do que pra qualquer outra coisa.
E a resposta veio, não em palavras, mas na sensação, no encaixe. Na forma como aquilo não incomodava. Na forma como, na verdade fazia sentido.
Ele caminhou mais um pouco pela sala, tocando de leve a ponta de uma das fotos com os dedos, quase como quem confirma que aquilo era real, e parou de novo, olhando ao redor mais uma vez, agora com outro tipo de atenção.
Mais consciente, entregue. Ele não tinha planejado, não tinha organizado, não tinha decidido.
Mas, quando percebeu Já estava lá.
Alguém tinha mexido na decoração da casa dele. E, de alguma forma silenciosa e precisa tinha colorido um coração que, até pouco tempo atrás, ele nem sabia que estava sem graça.
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22 pilotos, 22 pagodes
FanfictionEles vivem a 300 km/h, masnão existe velocidade suficiente pra fugir do que o coração sente. Entre paddocks, hotéis de luxo, madrugadas silenciosas e mensagens não enviadas, 22 pilotos da Fórmula 1 vivem histórias que nunca aparecem nas câmeras hist...
