Diário de Melanie
Meu nome é Melanie, mas para o mundo, sou apenas Mel. Tenho dezesseis anos, olhos que refletem o azul do céu e cabelos castanhos que nunca parecem estar em ordem. Decidi começar a escrever aqui porque sinto que Clifford, a cidade onde vivo, está prestes a me engolir.
Clifford foi batizada em homenagem ao seu fundador, um milionário que apareceu morto logo após a inauguração. Suicídio, disseram. Mas as línguas da cidade sussurram "homicídio" até hoje.
Não os culpo. Coisas estranhas acontecem aqui: pessoas desaparecem sem deixar rastros e há quem jure ter visto homens se transformando em feras sob a luz da lua.
No topo da hierarquia de Clifford está Logan West. Ele é dono de metade da cidade e da escola de elite onde eu estudo. Vivo com meus pais adotivos, os Miller, desde os cinco anos.
Meus pais biológicos morreram em um acidente de carro, e a única herança que me deixaram foi o fragmento de uma canção de ninar e uma marca estranha no meu pulso — uma tatuagem repleta de símbolos que ninguém consegue decifrar.
Sinto que essa marca é a chave para uma porta que talvez eu devesse manter fechada...
— Filha, já se arrumou? — O grito da minha mãe ecoou da cozinha.
— Já desço, mãe! — Fechei o diário e desci as escadas correndo.
Sentei-me à mesa e devorei o bife que ela me serviu. Meu apetite sempre foi um mistério; eu comia como um animal faminto, mas meu metabolismo queimava tudo em minutos.
— Quanta pressa, Melanie — meu pai comentou, rindo ao me ver lutar com a comida.
— A Vi me ligou, pai. Não posso atrasar no primeiro dia de aula.
Após convencê-lo a me dar uma carona para não estragar meu uniforme — saia plissada, meia três-quartos e meu All Star roxo favorito —, seguimos para o colégio.
Meus pais trabalhavam duro: ele na empresa dos West, ela vendendo bolos. Eles me deram tudo, e eu rezava para que meus pais biológicos, onde quer que estivessem, estivessem em paz sabendo que eu era amada.
[...]
Na entrada da escola, Violeta, minha melhor amiga, quase me arrancou o braço de tanto puxar.
— Mel! Lucas West caiu na nossa sala! Se sentarmos perto dele, seremos populares pelo menos uma vez na vida!
— Lucas West? O filho do rei da cidade? — ri, cética. — Por que ele falaria com a gente agora?
Entramos na sala atrasadas, sob o olhar severo do Sr. Dennis, o professor de História que parecia odiar a própria existência. Como punição, ele nos separou em equipes.
Violeta ficou do outro lado da sala, e eu fui mandada para a mesa de Lucas West.
Ele era... impecável. Cabelos negros como carvão, pele pálida e olhos verdes que pareciam ler minha alma.
— Algum problema? — perguntei, incomodada com o seu olhar fixo.
— Melanie, certo? — ele deu um sorriso convencido. — Deixe-me adivinhar: você é uma admiradora?
— Na verdade, é difícil ignorar alguém que se esforça tanto para aparecer — respondi, vendo o sorriso dele vacilar por um segundo.
— Bravinha — ele riu. Mas, sua expressão mudou. Ele se inclinou, farejando o ar de forma perturbadora.
— Tem algo estranho em você. Seu cheiro... Você ainda não sabe, não é?
— Se quer que eu saia, é só falar — levantei-me, mas ele segurou meu braço com uma força surpreendente.
Nesse momento, a manga da camisa dele subiu. Meu coração parou. Ali, no pulso dele, estava a mesma marca. Os mesmos símbolos. A mesma tatuagem que eu carregava.
— Você tem a marca... — sussurrei.
Lucas empalideceu. Ele olhou para o meu pulso e depois para o dele, uma inquietação selvagem tomando conta de seus olhos.
Sem dizer uma palavra, ele se levantou e abandonou a sala, deixando o professor e a mim no vácuo.
[...]
Cheguei em casa ainda processando o encontro. Violeta prometeu me trazer um livro sobre marcas místicas naquela noite.
Meus pais não estavam, então preparei um lanche e liguei meu notebook para escrever.
Sempre quis ser escritora; no papel, minha imaginação não era "esquisita", era arte.
De repente, o mundo explodiu em dor.
Meu pulso começou a arder como se uma lâmina incandescente estivesse cortando minha carne.
A tatuagem brilhava em um tom escarlate pulsante.
— MAS QUE PORRA É ESSA?! — gritei, desabando na cama.
E então, uma voz invadiu minha mente. Não era um sussurro, era como se ele estivesse ali, dentro do meu crânio.
— Melanie, por favor... não se assuste. Eu sei que dói. Acredite, estou sentindo dez vezes pior. Concentre-se na minha voz. Você é forte. Sinto o poder preso em você... não posso te perder.
— Lucas?! O que está acontecendo?! — eu chorava, minha visão borrando.
— Amanhã, na frente da escola. Eu explicarei tudo. Apenas... sobreviva ao despertar.
A voz sumiu, deixando um rastro de frio no lugar do calor.
Corri para o espelho para lavar o rosto, mas o que vi me fez recuar em terror. Meus olhos não eram mais azuis; eles brilhavam em um Amarelo demoníaco.
Antes que eu pudesse processar, minhas roupas começaram a fumegar e entrar em chamas. Eu não sentia dor, mas o pânico me fez arrancar o moletom e jogar água em cima de mim mesma. Quando o vapor baixou, meus olhos voltaram ao normal.
Eu estava tremendo, seminua e cercada por cinzas no chão do meu quarto. Peguei o celular com as mãos trêmulas e digitei para Violeta:
"Vi, vem pra cá. AGORA. E traz aquele livro."
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Perdida Entre Segredos
Roman pour AdolescentsCriada como humana, Melanie descobre que sua origem esconde segredos sobrenaturais. Melanie conseguirá entender quem ela é de verdade antes que seu passado a encontre?
