O cheiro de madeira úmida e sal invadia o ar. O rangido constante das tábuas, acompanhado pelo balanço lento do chão sob seus pés, fazia o estômago de Quezia embrulhar. Não era um sonho comum — tudo ali parecia real demais.Ela abriu os olhos de vez, o coração acelerado, e se levantou rapidamente, apoiando a mão em um barril ao lado.— O que?! Onde eu estou? — perguntou para si mesma, a voz ecoando no espaço fechado.A iluminação era fraca, vinda de uma pequena fresta acima, por onde entrava um fio de luz dourada. Caixas, cordas grossas e barris estavam espalhados pelo local. O cheiro forte de maresia não deixava dúvidas: aquilo era um navio.Mas não um qualquer.Ainda confusa, Quezia levou a mão ao bolso e, para sua surpresa, sentiu algo familiar. Seu celular.— Não é possível... — murmurou, puxando o aparelho.A tela acendeu normalmente. Bateria cheia. Sem trincos. Sem explicação.Ela rapidamente abriu os contatos e tentou ligar para sua mãe. O celular chamou... e então—Sem serviço.Tentou novamente. Pai. Nada. Namorado. Nada.— O meu Deus?! Onde foi que eu parei?! — disse, agora em desespero, a respiração ficando curta.Um barulho acima fez com que ela congelasse.Passos.Pesados.Muitos.Vozes.— Oy! Traz mais barris pra cá! — gritou alguém, com uma voz grave.— Esse carregamento é importante pro Oyaji! — respondeu outro.Quezia franziu o cenho."Oyaji...?"Antes que pudesse processar, a porta de madeira do porão se abriu com um estrondo. A luz forte invadiu o ambiente, forçando-a a cobrir os olhos por um instante.Quando sua visão se ajustou, ela viu silhuetas.Homens altos. Fortes. Alguns com cicatrizes, outros com expressões duras. Todos vestindo roupas estranhas — como piratas de filmes, mas... muito mais reais.Um deles desceu as escadas, encarando-a com surpresa.— Hã? Quem é você? — perguntou, estreitando os olhos.Quezia deu um passo para trás, o coração disparado.— Eu... eu não sei como vim parar aqui... — respondeu, quase sem voz.O homem a analisou de cima a baixo, desconfiado.Outro tripulante apareceu atrás dele, rindo.— Ei, ela não é daqui. Olha essas roupas.Silêncio.Então, uma nova presença surgiu no topo da escada.Pesada.Imponente.Só de sentir, Quezia gelou.Os homens abriram espaço automaticamente.Uma figura gigantesca começou a descer, passo por passo. Cada pisada parecia ecoar pelo navio inteiro. Quando finalmente apareceu por completo, não havia dúvidas.Bigode branco em forma de lua crescente.Olhar firme.Uma aura esmagadora.Edward Newgate.Barba Branca.Quezia arregalou os olhos, sem conseguir acreditar no que via.— Esse navio... — ela sussurrou, a voz tremendo — ...não pode ser...O homem parou diante dela, cruzando os braços. Seu olhar, apesar de intimidador, carregava algo inesperado: curiosidade.— Gurarara... — ele riu, grave. — Parece que temos uma visitante inesperada.O silêncio dominou o porão.Todos aguardavam.O destino dela... começava ali.Quezia engoliu em seco.Ela não estava apenas em um navio.Ela estava no Moby Dick.E, pela primeira vez, percebeu que aquilo não era um sonho.Era o começo de uma aventura que mudaria sua vida para sempre.
CONTINUA...
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Entrando no mundo de One Piece sem querer.
FanfictionUma jovem tinha acabado de chegar em sua casa, quase cinco horas da manhã do trabalho exausta, dificilmente apenas existindo no mundo real, alguma vez já se perguntou como seria sua vida em um mundo ilustrado, sendo um personagem de anime, nem que f...
