Capítulo 1 - Sem direção.

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— Garçonete, desce mais uma caneca!

O grito se perdeu entre as vozes embriagadas da taverna.
Do lado de fora, o vento frio empurrava aventureiros cansados para dentro, em busca de calor e bebida.

Risadas altas, canecas batendo e, ao fundo, um bardo acelerava o ritmo de sua melodia, quase competindo com o caos.

Garçonetes cruzavam o salão carregando pratos e bebidas, desviando como podiam de clientes inconvenientes.

Entre elas, uma chamava atenção.

Seus cabelos verdes balançavam a cada passo firme, enquanto se esquivava com agilidade de mãos ousadas que surgiam pelo caminho.

— Aí, se encostar em mim, arranco sua mão fora, ouviu?

A ameaça veio seca. Direta.

Lili não sorria como as outras. Seu olhar era duro, e sua postura deixava claro que paciência não fazia parte do serviço.

Mais aventureiros entravam na taverna, juntando-se aos já bêbados. A movimentação ficava cada vez mais difícil, as mesas quase todas ocupadas, e os bardos se revezavam para descansar. Aquela seria uma noite longa.

— Greta! Estamos ficando sem tempero! Manda a Lili buscar mais!

O grito de Helenor atravessou o salão até a cozinha. Greta ouviu e logo tratou de chamar a garçonete.

— Mandaram me chamar?

Lili respondeu ao entrar na cozinha. Seu olhar caiu sobre o pote vazio de tempero, e sua expressão azedou.

— Não faz essa cara. Você sabe que a gente precisa. E você se vira melhor que as outras, então anda logo! Sem tempo a perder.

Em passos largos, a garçonete confere a adaga presa à coxa, prende os longos cabelos verdes e segue em direção ao armazém.

— Um dia eu saio desse lugar... não sei o que é pior: servir bebida praqueles pé-rapados ou ter que vir aqui à noite.

As reclamações cessam ao alcançar o armazém. Poucos focos de luz, vindos de lampiões, iluminavam o ambiente. Um cheiro forte pairava no ar, usado para afastar pragas.

Ela entra, pega um dos sacos de tempero e o joga sobre o ombro. O peso faz seus joelhos cederem por um instante, mas o costume a mantém em movimento.

— Ora, ora... olha só o que temos aqui. Não tem medo de andar sozinha a essa hora?

A voz surge das sombras da rua mal iluminada. Três homens se aproximam, os olhos passeando pelo corpo dela. Pareciam aventureiros, mas as armas mal cuidadas, a ausência de insígnias e a postura denunciavam o óbvio: mercenários.

— Arr... dá um tempo. O que vocês querem, hein? Preciso levar isso aqui logo, então não me façam perder tempo.

A resposta vem direta, carregada de impaciência. O olhar de Lili endurece ao reconhecer o tipo de gente à sua frente.

Um dos homens avança, tentando agarrar seu braço.

Ele não chega a tocar.

Num movimento rápido, a adaga corta o ar — e leva um dos dedos com ela.

— AAAAHH! SUA CADELA!

O grito ecoa pela rua. Algumas pessoas olham... e rapidamente desviam, apressando o passo. Ninguém queria se envolver.

— Olha, não vou repetir. Caiam fora.

Ela ajusta larga o saco do ombro, sem tirar os olhos dos três.

LUZ DA NOITEHistórias para pegar e não largar. Descubra agora