Charles Leclerc construiu a vida perfeita.
Um casamento estável. Uma imagem impecável. Um futuro que faz sentido.
Tudo exatamente como deveria ser.
Exceto por um detalhe -
algo que ele deixou para trás.
Algo que nunca deixou ele ir.
Entre memórias q...
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O quarto está silencioso. Silencioso demais.
Charles Leclerc encara o teto no escuro, os olhos abertos há tempo suficiente para já ter desistido de tentar dormir.
Ao lado dele, Alexandra respira de forma leve, tranquila. O tipo de sono que vem fácil, sem interrupções, sem peso.
Tudo está no lugar.
Como deveria estar. Como sempre disseram que deveria ser.
Ele vira o rosto, observando-a por alguns segundos.
Bonita. Calma. Presente. Real.
E ainda assim— Não é suficiente.
O pensamento vem antes que ele consiga impedir.
Rápido. Cruel. Honesto demais.
Charles fecha os olhos com força, levando a mão ao rosto como se pudesse pressionar aquilo de volta para dentro, como se fosse possível controlar algo que nunca realmente foi embora.
Mas não funciona. Nunca funciona.
Porque é sempre assim. Sempre no meio da noite. Sempre quando o silêncio é alto demais.
Sempre quando ele não tem mais distrações para se esconder atrás.
Ele respira fundo, tentando se acalmar, tentando voltar, tentando... qualquer coisa que o mantenha ali.
No presente. Na vida que ele escolheu. Na vida que faz sentido.
Mas então— Vem.
Sem aviso. Uma memória.
Um riso baixo, fácil demais. Um olhar que demorava mais do que deveria.
Um nome que ele passou anos tentando esquecer.
Carlos Sainz jr.
Charles solta o ar devagar, como se isso doesse.
Porque dói. Sempre dói.
Ele passa a mão pelos olhos, cansado, frustrado, exausto de uma luta que já perdeu antes mesmo de começar.
— Para. — ele murmura, quase inaudível.
Mas não adianta. Porque não é só uma lembrança.
Nunca foi. É uma certeza. Baixa. Persistente. Impossível de ignorar.
E, pela primeira vez, ele não tenta mentir para si mesmo.
Não tenta fingir. Não tenta fugir.
Só... aceita.
Os olhos ainda fechados. A respiração falhando por um segundo. E então, quase como uma confissão:
— Não é ela.
O silêncio não responde. Mas também não contradiz.
E talvez isso seja o pior de tudo.
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