︽A distancia dos 3 dias...︾

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O escritório do Segundo Hokage estava imerso num silêncio absoluto, perturbador. Não era o silêncio pacífico da noite, nem o silêncio respeitoso de uma sala de aula. Era um silêncio pesado, árido, poor que Bacalhau queimado,que parecia se expandir pelas paredes de madeira e sufocar Tobirama Senju.

Ele se sentou à mesa, a caneta de tinta parada a meio centímetro do papel. Seus olhos vermelhos, que normalmente varriam os documentos com precisão cirúrgica, estavam perdidos num ponto vazio na parede oposta.

Tobirama soltou um suspiro profundo, deixando o cair sobre a mesa com um baque seco.

- Isto é ridículo - murmurou ele para a sala vazia.

Mas não era ridículo. Era real. E era alarmante.

Com vinte e seis anos, Tobirama era conhecido como o "Homem de gelo" em vida, um homem de lógica fria, estratégia impecável e emoções contidas. Ele era um Homem sem sentimentos,sem medos, sem afeto-Mais ou menos para Hashirama-.Ele não tinha tempo para fraquezas.

No entanto, nas últimas vinte e quatro horas, uma sensação estranha e desconhecida tinha se instalado no seu peito, como uma pedra fria que não podia ser expelida por nenhum jutsu.

Era carência.

Uma necessidade visceral e física de proximidade. Mas não de qualquer pessoa. Ele não procurava o consolo barulhento de Hashirama, nem a lealdade silenciosa de Kagami, nem mesmo a energia caótica de Hiruzen.

Era Danzo.

Danzo Shimura, com seus vinte e três anos, olhar severo e postura rígida. O pensamento no jovem fez o estômago de Tobirama dar um nó. Ele queria ver Danzo. Não apenas como um subordinado ou um aluno promissor, mas *ver* ele. Queria observar a curva do maxilar do rapaz, a maneira como os olhos escuros dele se serravam ligeiramente em concentração, o cabelo preto e desengonçado que caía sobre a testa.

Tobirama fechou os olhos, apoiando a testa na mão. O desejo era quase doloroso. Ele queria ouvir a voz de Danzo. Aquela voz grave, muitas vezes carregada de uma inveja disfarçada ou de uma devoção fanática, mas que, para Tobirama, soava como uma âncora. Ele queria sentir o peso do olhar de Danzo sobre ele, validar a sua existência fora do papel de Hokage.

Mas Danzo não estava ali.

Ele tinha sido despachado para uma missão de reconhecimento nas fronteiras do País do Vento. Uma missão B-classificada, perigosa, necessária. E ele só voltaria daqui a três dias.

*Três dias.*

Tobirama sentiu um aperto no peito. Noventa e seis horas. Cinco mil e setecentos e sessenta minutos. Parecia uma sentença eterna.

Ele levantou-se abruptamente, a cadeira rangendo contra o chão de madeira polida. Começou a passear o escritório. As mãos, normalmente serenas, estavam fechadas em punhos leves atrás das costas.

*Por que agora?* questionou-se a si mesmo, a luta interna travando-se na sua mente. *Por que, depois de anos treinando-o, observando-o crescer, é que sinto falta dele com tanta intensidade?*

Talvez fosse o recente aperto nas relações políticas. Talvez fosse o cansaço acumulado. Ou talvez, e essa era a teoria que fazia as bochechas de Tobirama esquentarem ligeiramente, ele finalmente tivesse admitido para si mesmo que a presença de Danzo acalmava o turbilhão constante na sua mente.

Ele parou em frente à janela, olhando para a vila de Konoha iluminada pela lua cheia.

- Vinte e três anos - sussurrou Tobirama, a voz rouca.

Danzo estava na flor da idade, tão cheio de potencial e, ao mesmo tempo, tão atormentado pela necessidade de provar o seu valor. Tobirama sentia um desejo repelente de proteger essa ferida, de ser o único que Danzo procurava para validação.

A solidão do escritório parecia ampliar o eco da sua própria respiração. Ele se imaginou sentado ali, com Danzo em pé ao seu lado, como gostava de fazer. O cheiro do metal, a aura severa do jovem shinobi... tudo isso lhe faltava desesperadamente.

Tobirama voltou para a mesa e apanhou um relatório que estava na pilha de "Lido". Era um relatório escrito pela própria caligrafia de Danzo, entregue antes da partida. Ele correu os dedos pelo papel, como se pudesse extrair a essência do rapaz através da tinta seca.

A caligrafia era forte, angular, decidida.

- Você é um tolo, Tobirama - disse ele a si mesmo, mas sem a mordaz habitual. O som era suave, resignado.

Ele sentou-se novamente, mantendo o relatório na mão. O vazio não desapareceria, ele sabia disso. Mas ler as palavras de Danzo, analisar a estratégia que o jovem tinha proposto na missão anterior, era o mais perto que podia chegar de tê-lo ali consigo.

Tobirama pegou a caneta novamente, mas em vez de assinar papers oficiais, abriu uma gaveta secreta e retirou um pequeno caderno pessoal onde registrava os seus pensamentos mais íntimos sobre a vila e seus shinobis.

Ele escreveu a data e pausou.

*Aguardo o seu retorno, Danzo. A vila parece quieta demais sem a sua insistência.*

Ele leu a frase, sentindo o rosto ficar quente. Riscou-a rapidamente. Muito sentimental. Muito revelador.

Em vez disso, escreveu friamente:
*Missão de retorno prevista para 72 horas. Reunião de briefing imediata upon arrival. Requerir relatório completo.*

Era o que um Hokage escreveria. Era o que Tobirama *deveria* sentir.

Mas, enquanto fechava o caderno e o guardava de volta na gaveta com um clique metálico, Tobirama Senju teve de admitir a verdade que queimava no seu peito.

Não eram três dias. Eram uma eternidade. E quando Danzo Shimura voltasse, Tobirama teria muito cuidado para não deixar que o alívio de vê-lo vivo traísse a profundidade do que realmente sentia.

Por agora, ele se contentaria com o silêncio e a memória de um par de olhos escuros que o viam não como um deus, mas como um homem que um dia precisaria ser substituído. Tobirama queria provar a Danzo que ele ainda estava lá, e que, ironicamente, era Danzo quem o mantinha ancorado à vida.

Ele olhou para a lua brilhante e grande,que cobria Konoha com uma Luz fraca, mas que era bonita. Ficando em silencio, Tobirama admitiu em voz Alta, uma coisa que nunca tinha feito.....

- Volte logo - murmurou o Segundo Hokage para a noite escura. - Por favor.

A carencia do Homem de geloStories to obsess over. Discover now