ATO 1 - Capítulo I: Vazio

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Era estranho.

Shuu não estava acostumado a simplesmente andar pelas ruas de Tóquio.

Ainda mais em plena luz do dia.

Ainda mais em meio ao murmúrio insuportável e incômodo de humanos correndo, como insetos, de um lado para o outro.

Normalmente isso o incomodaria ao extremo. No entanto... por algum motivo, ele estava impassível.

O vazio dentro de si abafava qualquer ruído exterior.

Seus passos seguiam sem destino.

Ou talvez... não completamente.

— Ei, ei, moço bonito!

Uma criatura diminuta e colorida interceptou o caminho do Sakamaki mais velho.

Shuu apenas a observou de cima, uma sobrancelha levemente arqueada, antes de simplesmente desviar. Ignorando-a.

A menina de roupas rosas bufou, indignada.

— Ei! Seu poste loiro! Estou falando com você!

Shuu, obviamente, continuou andando, sem sequer se dar ao trabalho de responder.

Decidindo, enfim, dar fim aos ruídos externos, o loiro ligou seus fones de ouvido. Um som de violino preenche seus sentidos.

Seus ombros relaxaram, uma tensão que ele nem havia percebido se dissipou.

Um toque sutil em seu braço chamou sua atenção. Ele pensou em ignorar. Mas... algo o fez hesitar.

Duvidava que a garota rosa punk tivesse insistido.

Quando virou-se, um panfleto entrou em seu campo de visão.

Um fundo bege sem detalhes, minimalista, apenas com uma imagem esmaecida de fundo de alguém tocando violoncelo.

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Seu olhar subiu lentamente.

Um sorriso gentil emoldurava um rosto jovem. Um garoto.

Cabelos castanhos levemente bagunçados, traços suaves, bochechas com resquícios infantis...

Um pirralho humano.

Ele não falou nada, apenas manteve o panfleto estendido em sua direção.

Em troca de seu silêncio, o Sakamaki pegou o panfleto.

Sem dizer nada, virou-se novamente e seguiu seu caminho. Sem rumo.

𖥑

Quando Shuu retornou à mansão, já era noite.

Ela mantinha o mesmo ar fúnebre e abandonado de sempre.

Sem paciência para ver alguém, ele se teletransportou direto para seu quarto.

Ele estalou o pescoço impaciente; uma irritação sem motivo pinicava sua pele.

Sem muita vontade, ele deitou-se na cama, fechando os olhos como se fosse dormir.

O que ele sabia que não aconteceria.

Os últimos dias haviam sido um tédio absoluto.

Houve um breve alívio quando aquele homem morreu, mas ele deixou tantos problemas para trás que Shuu chegou a cogitar que sua presença era menos problemática.

O loiro ficou satisfeito por Reiji ter feito questão de assumir a situação com Ruki a reboque.

Shuu estava livre agora.

Subaru se tornou o herdeiro no fim.

Chega dos problemas de ser o filho mais velho; agora ele poderia ser deixado em paz.

Isso, é claro, se Reiji decidisse estar contente assim.

Mesmo assim, Shuu estava inquieto.

Ao abrir os olhos, o vampiro notou. O papel havia escorregado de seu bolso.

O panfleto.

Seus dedos o pegaram com desinteresse.

Os olhos passaram rapidamente pelas palavras.

Inútil.

Com um movimento displicente, ele o lançou para longe.

O papel caiu no chão, esquecido.

Seus olhos se fecharam novamente.

A melodia do piano o envolveu.

Silenciosa.

Vazia.

Shuu SakamakiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora