Apartamento 69

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POV - JASMINE VILLAR
Já faz uma semana que eu não durmo direito...
Moro em um pequeno apartamento que está localizado em uma rua tranquila da cidade, e os únicos sons que se ouve, são das maritacas que vem nos visitar de vez em quando, o barulho do vento nas copas das árvores, ou então, se fizermos silêncio, podemos ouvir o som das ondas, do mar, pois onde moro não é muito distante da praia dos coqueiros. Enfim, tudo nesse lugar, me transmitia paz, até ELE aparecer...

Ao que parece, um bruta montes, se mudou para o apartamento 69, que fica ao lado do meu, e eu juro que nunca vi alguém tão sem noção, quanto o novo vizinho.
Acho que ele desconhece a palavra silêncio ou bons modos. Onde ele morava antes daqui? Vivia Isolado em uma fazenda distante?

Nunca ouvi nenhum outro morador, como eu tenho escutado o Brutus (Sim, esse será o novo apelido do meu querido vizinho, pois, ainda não o conheci, e não faço ideia do nome desse ser petulante).

Vamos odiá-lo comigo?
Ele acorda praticamente batendo panela, e pasmem, as 05h da manhã, o cidadão liga o bendito liquidificador, e não para por aí, esse cara é um doente fanático, e tudo piora quando o Corinthians está jogando.

Eu, que até gostava de acompanhar futebol, passei a detestar nesses últimos dias, e principalmente um certo time... Argh, esse cara me irrita em um nível surreal!
Eu ainda não tive oportunidade de falar com o Brutus, mas quando eu o encontrar... É bom ele ter orado antes de sair de casa.

Por fim, meu celular desperta às 06h30, e esse é o meu último despertador, já que eu ativo a cada 10 ou 20 minutinhos, para conseguir cochilar um pouco mais.

Sabendo que não posso me atrasar no trabalho, eu me levanto da minha cama confortável e quentinha, contra a minha vontade, e vou em direção ao meu banheiro para tomar um banho.
Passo o melhor hidratante, pois hoje é um dia importante. Sim, eu fui promovida no trabalho!
Sou técnica de enfermagem, e agora me tornei responsável pelos técnicos do meu plantão, ficando abaixo da enfermeira Lucy, que é como uma mãe para mim.

Trabalho no hospital Albert Einstein, há 3 anos no período da manhã, e faço faculdade de Enfermagem durante a noite. É complicado, mas ninguém disse que seria fácil.
Visto o meu uniforme, mas guardo meu jaleco na bolsa. Coloco o meu casaco e prendo meus cachos em um rabo de cavalo, pois acabei me perdendo no horário, e agora preciso me apressar.

Pego uma banana na fruteira, pego minhas chaves, mochila e vou saindo do apartamento enquanto chamo um Uber. 
Estou trancando minha porta, cantarolando uma música aleatória do Luan Santana, e quando eu me viro para sair, acabo me esbarrando com alguém..

-Aaaah que inferno! - eu digo

-Você não olha para onde anda não garota? - Ouço uma voz aguda, mas nem dou atenção, já que vejo minha banana caída no chão, agora amassada... ótimo, a única coisa que eu iria comer antes do meu almoço, está jogada no chão sujo. Minha mochila caiu no chão, penso logo se quebrou o meu antigo notebook, o único que tenho para estudar... -Não vai nem pedir desculpas??

-Desculpas por você esbarrar em mim? - Pergunto sem ainda olhar para a figura em minha frente, estou mais preocupada em recolher minhas coisas e dar o fora dali, mas nessa altura do campeonato, sinto que estou sendo observada por mais vizinhos...

-Você sabe quanto custou essa jaqueta? Seria uma entrada desse seu apartamento velho, imagine se você suja ela com essa sua fruta podre e...

-Eu não sei quanto custou essa jaqueta, que inclusive parece ter vindo do Brás...

- Mas...

-Não terminei. Amo as roupas de lá querida, não precisa fingir que tem dinheiro ok? E outra, você sabe o quanto eu estava com vontade de comer essa fruta? Sabe, com a fome que eu estou e a raiva que você me deixou, eu te comeria viva! A sua sorte é que você não parece ser tão gostosa assim. Com licença ruivinha. 

E saio apressada, sem dar chances da mimada dizer mais uma palavra.

Parando para analisar agora, era uma moça jovem, parecia ser no máximo 1 ou 2 anos mais velha que eu, mas ela parecia uma modelo. Ruiva, com cabelos ondulados, um pouco mais alta, um corpo de tirar o fôlego de qualquer homem, nossa! Claramente eu menti quando disse que não era gostosa, pena que é uma vadia arrogante.

Respiro fundo, e em minha mente acende uma pequena lâmpada

O que uma mulher daquela, estava fazendo em um apartamento pequeno dessa região? 
Não é que eu esteja desprezando meu lar, até porque sou apaixonada naquele lugar, e acredito que na região que moro, é um dos melhores prédios, até mesmo em custo benefício, mas uma mulher que se intitula com tanta grana, estaria ali por que? Ou por quem?

O cara do apartamento ao ladoStories to obsess over. Discover now